ESTAMOS VIVENDO A TRANSIÇÃO ENTRE CICLOS
HISTÓRICOS
Tenho procurado estudar nossa história, dentro
de uma perspectiva de construção do Estado Brasileiro, a partir dos diversos
ciclos, com ênfase nos aspectos que envolvem o exercício da cidadania. Neste
momento, com absoluta certeza, estamos na fase de transição entre esses ciclos
históricos. A seguir, um breve resumo e minha visão pessoal.
Ciclos da história
do Brasil:
- 1500/1822 (322 anos) Brasil Colônia - O
prolongamento da idade média europeia aqui;
- 1822/1889 (67 anos) Monarquia - Um regime
escravagista, por si excludente do exercício da cidadania;
- 1889/1930 (42 anos) República Velha - Um período
vivido entre golpes e eleições fraudulentas, onde a maioria dos brasileiros não
tinha o direito ao voto;
- 1930/1945 (15 anos) Governo Getúlio Vargas/Estado
Novo - Regime de exceção, com restrições de direitos;
- 1946/1964 (18 anos) Período Redemocratização do
País/Anos Dourados - Nossa primeira experiência de um regime sob o pleno estado
de direito;
- 1964/1985 (21 anos) Governos Militares - Regime
de exceção, com restrições de direitos;
- 1985/2016 (31 anos) Período contemporâneo -
Redemocratização do país.
Em todos estes ciclos, tivemos regimes de pleno
estado de direito, favoráveis ao exercício da cidadania, nos períodos de
1946/1964 e no atual, iniciado em 1985, ambos de redemocratização do país após
regimes de exceção. Menos de 50 anos em nossos mais de 5 séculos de história.
A primeira conclusão é de que vivemos, neste
momento, o maior ciclo de vigência de um pleno estado de direito. Somos
aprendizes de convívio em regime democrático. Vivemos, ainda, uma democracia
frágil, que necessita ser corrigida, aperfeiçoada e fortalecida.
A segunda conclusão é de que, provavelmente já
tenhamos encerrado o ciclo histórico iniciado em 1985 e estamos vivendo em
plena fase de transição ao ciclo seguinte. As turbulências políticas vividas no
momento constituem o mais expressivo sinal.
Neste cenário, independente do resultado final do
Processo de Impeachment da Presidente da República, precisamos ter consciência
de nossa responsabilidade na construção de um novo ciclo da história do país.
Não creio que possamos fazer uma construção
positiva com posições extremadas, com a troca de provocações e o compartilhamento
de insultos. Tenho convicção de que é hora de buscarmos a pacificação dos
espíritos para a edificação de um pacto que busque o bem comum e não o
predomínio de interesses de grupos, sejam quais forem.
Desculpem se me alonguei na exposição. Assim o faço
para deixar claro que não sigo a linha do "bate-boca de boteco", nem
a do "militante ensandecido". Penso que as questões institucionais e
políticas não devem ser tratadas com "paixão", mas com a "razão",
um pouco de conhecimento, bom senso e, principalmente, com respeito. Afinal,
somos todos brasileiros.
Nota: postado no facebook em 16.04.16
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