Há poucos dias postei aqui, falando sobre a criminalidade, da responsabilidade
dos receptadores de objetos roubados e dos apologistas das drogas. Reporto-me,
por analogia, àquele texto, para falar sobre a responsabilidade pela violência
por inspiração política.
Notícia em todos os veículos de comunicação, ontem à noite uma horda de
facínoras, travestidos de militantes políticos, depredaram e tentaram
incendiar a sede do PMDB de Porto Alegre, só não concluindo seu intento pela
rápida intervenção dos bombeiros.
Não estou trazendo este fato porque sou vinculado ao PMDB (criticaria esta
atrocidade em relação a qualquer outro partido ou organização), até porque
estou afastado da militância política, numa espécie de quarentena, já fazem uns
sete anos. Quem lê minhas postagens sabe que tenho me abstido de ingressar
nessa verborragia agressiva que virou o trato da questão política em rede
social. Quando o faço é para criticar as posições extremistas, todas.
O principal motivo de me abster destas questões na rede social, já registrei
anteriormente, é porque estou nesta fase da vida priorizando minhas relações
afetivas, familiares, de amizade, que felizmente as tenho em todos os
segmentos, inclusive em ambos os extremos. Sou forçado, contudo, pelas
circunstâncias específicas, a romper esta cautela.
Ontem à noite, na sede do PMDB atacada pelos
facínoras, pertencentes a legendas partidárias perfeitamente identificadas,
encontrava-se um grupo de jovens, em atividades da campanha eleitoral. Dentre
esses jovens, um de meus filhos, que somente hoje pela manhã me relatou os
horrores pelos quais passou e também a clara identificação partidária dos
autores, inclusive pelas bandeiras.
Diante deste ataque à democracia, por aqueles que sem conhecer seu conceito e
significado a invocam para justificar sua selvageria, e tendo um filho na
“linha de fogo” desses facínoras, sou forçado a romper minha cautela
respeitosa, trazendo a público minha indignação e repúdio.
Repudio o ato e seus autores diretos, executantes e mandantes, rotulando a
todos de criminosos. Mas também repudio aos seus inspiradores, covardes ocultos
na trincheira da telinha de seus computadores a instigar a violência com
imbecis palavras de ordem, insultos, provocações generalizadas e total falta de
compostura.
É incrível como algumas pessoas educadas, afáveis no convívio pessoal,
politicamente fanatizadas, passionais, protegidas pela telinha do computador,
pela ausência do contato presencial, se tornam agressivas, mal educadas, sem se
importar com quem e quantos estejam lendo suas aleivosias.
A estas pessoas vai meu repúdio e minha acusação de responsabilidade pela
violência que chega às ruas. Sim, são inspiradores desses facínoras e, por
consequência, coautores de quaisquer atos delituosos que vierem a cometer.
Indignado com o que poderia ser uma tragédia, na real tentativa de incêndio de
um prédio com pessoas dentro, acabo de romper minha quarentena. Dentro dos
limites do direito, e no exercício de minha profissão, me alistei
voluntariamente para denunciar, na polícia, em juízo, em quaisquer instâncias,
esses facínoras e também seus inspiradores.
Nota: postado no facebook em 01.09.16
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