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domingo, 11 de dezembro de 2016

FACÍNORAS NAS RUAS, INSPIRADORES ATRAS DAS TELINHAS

Há poucos dias postei aqui, falando sobre a criminalidade, da responsabilidade dos receptadores de objetos roubados e dos apologistas das drogas. Reporto-me, por analogia, àquele texto, para falar sobre a responsabilidade pela violência por inspiração política. 


Notícia em todos os veículos de comunicação, ontem à noite uma horda de facínoras, travestidos de militantes políticos, depredaram e tentaram incendiar a sede do PMDB de Porto Alegre, só não concluindo seu intento pela rápida intervenção dos bombeiros. 

Não estou trazendo este fato porque sou vinculado ao PMDB (criticaria esta atrocidade em relação a qualquer outro partido ou organização), até porque estou afastado da militância política, numa espécie de quarentena, já fazem uns sete anos. Quem lê minhas postagens sabe que tenho me abstido de ingressar nessa verborragia agressiva que virou o trato da questão política em rede social. Quando o faço é para criticar as posições extremistas, todas. 

O principal motivo de me abster destas questões na rede social, já registrei anteriormente, é porque estou nesta fase da vida priorizando minhas relações afetivas, familiares, de amizade, que felizmente as tenho em todos os segmentos, inclusive em ambos os extremos. Sou forçado, contudo, pelas circunstâncias específicas, a romper esta cautela.


Ontem à noite, na sede do PMDB atacada pelos facínoras, pertencentes a legendas partidárias perfeitamente identificadas, encontrava-se um grupo de jovens, em atividades da campanha eleitoral. Dentre esses jovens, um de meus filhos, que somente hoje pela manhã me relatou os horrores pelos quais passou e também a clara identificação partidária dos autores, inclusive pelas bandeiras.


Diante deste ataque à democracia, por aqueles que sem conhecer seu conceito e significado a invocam para justificar sua selvageria, e tendo um filho na “linha de fogo” desses facínoras, sou forçado a romper minha cautela respeitosa, trazendo a público minha indignação e repúdio. 

Repudio o ato e seus autores diretos, executantes e mandantes, rotulando a todos de criminosos. Mas também repudio aos seus inspiradores, covardes ocultos na trincheira da telinha de seus computadores a instigar a violência com imbecis palavras de ordem, insultos, provocações generalizadas e total falta de compostura. 

É incrível como algumas pessoas educadas, afáveis no convívio pessoal, politicamente fanatizadas, passionais, protegidas pela telinha do computador, pela ausência do contato presencial, se tornam agressivas, mal educadas, sem se importar com quem e quantos estejam lendo suas aleivosias. 



A estas pessoas vai meu repúdio e minha acusação de responsabilidade pela violência que chega às ruas. Sim, são inspiradores desses facínoras e, por consequência, coautores de quaisquer atos delituosos que vierem a cometer. 

Indignado com o que poderia ser uma tragédia, na real tentativa de incêndio de um prédio com pessoas dentro, acabo de romper minha quarentena. Dentro dos limites do direito, e no exercício de minha profissão, me alistei voluntariamente para denunciar, na polícia, em juízo, em quaisquer instâncias, esses facínoras e também seus inspiradores.


Nota: postado no facebook em 01.09.16


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