Seguidores

domingo, 11 de dezembro de 2016

O MOMENTO DO BRASIL - VIII



UM NOVO CICLO HISTÓRICO 

Ao reproduzir postagem feita há 3 anos, fiz breve comentário sobre a ideia que defendo desde 2007, de que estávamos prestes a finalizar um ciclo histórico. Este ciclo histórico acabou e estamos já vivendo os primórdios de um novo ciclo, a ser construído. 

No ano de 2009, frustrado com o estado a que chegou a política nacional, e também em minha aldeia, retirei-me da militância política. Desde então, em longo silêncio reflexivo, acompanhei atento o cenário político/institucional. 

Por vontade própria, submeti-me à longa "quarentena" de 7 anos (apesar de místico, este número é apenas um acaso). Este retiro, ao início doloroso, foi aos poucos transformando-se numa sensação de liberdade. Minha posição pessoal estava confortável, mas o cenário em que vivemos não permite acomodações. 

Como disse ao início, estamos vivendo a transição entre ciclos históricos. O novo ciclo poderá ser apenas uma nova versão dos que lhe antecederam, ou podemos fazê-lo diferente, servindo-nos das lições da história. 

Foi com esta perspectiva que aceitei romper minha quarentena para voltar à ação, por meio da atuação em um grupo de estudos políticos onde vou me dedicar a dois temas básicos, a seguir:
- O exercício da cidadania no Brasil;
- Reforma política e estrutura do estado.

Com o estudo de temas desta relevância, dentre outros, juntamente com a formulação de proposições, pretendo participar deste importante momento de nosso país. Por mais modesta que seja minha contribuição, não ficarei omisso. 

Quando julgar oportuno, compartilharei algum comentário sobre os temas objeto de estudos. Contudo, manterei minha posição distante dos extremos ideológicos. Nestes 7 anos de silêncio e reflexões busquei distanciar-me do "militante" e aproximar-me do "cidadão". E a cidadania, em minha concepção, pressupõe o convívio respeitoso com a divergência ao sustentar nossas posições.


Nota: postado no facebook em 20.06.16




O MOMENTO DO BRASIL - VII


SEXTA-FEIRA 13  

Não tenho superstições. Respeito algumas crendices populares como folclore. Neste rótulo incluo a sexta-feira 13, como um dia azarento (nem sei porque esse número ganhou tal significação). 

Já tivemos um dia 13 de maio (talvez nem fosse sexta) quando nossa Princesa Izabel assinou a Lei Áurea, extinguindo a escravidão dos negros. Jogados nos corredores das estradas e na periferia das cidades, sem qualquer proteção, na condição de pedintes, esses libertos azaram há mais de cem anos a discriminação e a desigualdade de tratamento, injusta, cruel e disfarçada. Solidário aos nossos irmãos negros, também acho que o 13 de maio não é uma data comemorativa. 

Voltemos à esta sexta-feira 13. Possivelmente tenhamos aqui outra data histórica, para o bem ou para o mal, dependendo da concepção de cada um (espero e torço que seja para o bem). 

E certo que estamos em plena transição de um ciclo de nossa história para o ciclo seguinte. O sistema político vigente ruiu. Já haviam sinais evidentes. E não há o "nós" e "eles", não existem "mocinhos" e "bandidos". Todos nós, integrantes da sociedade brasileira, pela omissão no exercício da cidadania, somos responsáveis pelo que aí está, desde os mais altos assuntos da república até o desinteresse pela prestação de contas dos síndicos de nossos condomínios. Pior, pela troca de pequenos favores ou benesses, votamos no padrinho do amigo de nosso vizinho...

Para não me alongar, como dizia meu amigo, o Vereador Dario Gonçalves Dias (companheiro de peleias lá da minha Santana da Boa Vista), penso que estamos efetivamente ingressando em outro ciclo histórico. Melhor que a data de início não seja o 13 de maio, não por ser uma sexta-feira, mas para que a nação brasileira não tenha o mesmo "azar" que tiveram nossos libertos naquele 13 de maio de 1888. 

Eu não sou supersticioso, mas não custa andar com uma arruda atras da orelha por estes dias. 

Votos de muita sorte a todos nós, brasileiros, e um bom final de semana aos amigos.


Nota: postado no facebook em 13.05.16


O MOMENTO DO BRASIL - VI



OS INIMIGOS DA DEMOCRACIA 

Creio não haver espaço para mais um comentário sobre a sessão da Câmara dos Deputados ontem. Contudo, não posso deixar de referir o mais degradante momento em que o deputado representante da ala reacionária da nação faz explícita homenagem a um notório torturador.

Este fato, e seu tosco protagonista, vem estimular as minoritárias mas insistentes manifestações que saúdam e pedem a volta da ditadura militar. Esta é a única situação em que tenho me manifestado ostensivamente, contrário e com toda veemência. 

Ainda sob a vigência dos anos de chumbo, recém formado, voltei à minha terra e fiz a opção de renunciar às ofertas e benesses do poder para somar-me à oposição e resistência, quando muitos se omitiam, se assustavam ou se vendiam (e ainda se vendem...).

Do ponto de vista econômico e financeiro, paguei um preço muito caro por minha rebeldia. Como homem, cidadão e profissional do direito, tenho orgulho da trajetória que fiz. 

Naquele tempo, sob ameaças e boicote profissional, aprendi o quão nocivas são as ditaduras. Pior do que os ditadores chefes são os seus asseclas, empoderados, nos mais distantes rincões. A estes últimos eu enfrentei, e aos seus cães de guarda, assumindo os riscos e prejuízos por minha opção. 

Por isto, eu renego qualquer ditadura e repudio quaisquer manifestações que festejem ou preguem o retorno desses tempos, embora saiba se tratar de vozes isoladas que não encontram eco nos dias atuais da nação. Mesmo assim, é necessário estar vigilante para que o mal não se dissemine. 

É por isto que me insurjo diante de manifestações que tem sua origem em reacionários de duvidosos propósitos e continuam pelas mãos de pessoas desinformadas. 

Parafraseando Ulysses Guimarães: temos ódio de ditaduras, ódio e nojo.


Nota: postado no facebook em 18.04.16


O MOMENTO DO BRASIL - V


ESTAMOS VIVENDO A TRANSIÇÃO ENTRE CICLOS HISTÓRICOS 

Tenho procurado estudar nossa história, dentro de uma perspectiva de construção do Estado Brasileiro, a partir dos diversos ciclos, com ênfase nos aspectos que envolvem o exercício da cidadania. Neste momento, com absoluta certeza, estamos na fase de transição entre esses ciclos históricos. A seguir, um breve resumo e minha visão pessoal.

Ciclos da história do Brasil:
- 1500/1822 (322 anos) Brasil Colônia - O prolongamento da idade média europeia aqui;
- 1822/1889 (67 anos) Monarquia - Um regime escravagista, por si excludente do exercício da cidadania;
- 1889/1930 (42 anos) República Velha - Um período vivido entre golpes e eleições fraudulentas, onde a maioria dos brasileiros não tinha o direito ao voto;
- 1930/1945 (15 anos) Governo Getúlio Vargas/Estado Novo - Regime de exceção, com restrições de direitos;
- 1946/1964 (18 anos) Período Redemocratização do País/Anos Dourados - Nossa primeira experiência de um regime sob o pleno estado de direito;
- 1964/1985 (21 anos) Governos Militares - Regime de exceção, com restrições de direitos;
- 1985/2016 (31 anos) Período contemporâneo - Redemocratização do país.

Em todos estes ciclos, tivemos regimes de pleno estado de direito, favoráveis ao exercício da cidadania, nos períodos de 1946/1964 e no atual, iniciado em 1985, ambos de redemocratização do país após regimes de exceção. Menos de 50 anos em nossos mais de 5 séculos de história. 

A primeira conclusão é de que vivemos, neste momento, o maior ciclo de vigência de um pleno estado de direito. Somos aprendizes de convívio em regime democrático. Vivemos, ainda, uma democracia frágil, que necessita ser corrigida, aperfeiçoada e fortalecida. 

A segunda conclusão é de que, provavelmente já tenhamos encerrado o ciclo histórico iniciado em 1985 e estamos vivendo em plena fase de transição ao ciclo seguinte. As turbulências políticas vividas no momento constituem o mais expressivo sinal.

Neste cenário, independente do resultado final do Processo de Impeachment da Presidente da República, precisamos ter consciência de nossa responsabilidade na construção de um novo ciclo da história do país. 

Não creio que possamos fazer uma construção positiva com posições extremadas, com a troca de provocações e o compartilhamento de insultos. Tenho convicção de que é hora de buscarmos a pacificação dos espíritos para a edificação de um pacto que busque o bem comum e não o predomínio de interesses de grupos, sejam quais forem. 

Desculpem se me alonguei na exposição. Assim o faço para deixar claro que não sigo a linha do "bate-boca de boteco", nem a do "militante ensandecido". Penso que as questões institucionais e políticas não devem ser tratadas com "paixão", mas com a "razão", um pouco de conhecimento, bom senso e, principalmente, com respeito. Afinal, somos todos brasileiros.

Nota: postado no facebook em 16.04.16

O MOMENTO DO BRASIL - IV


SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO  
(ou, depende da conotação)


O velho dilema de Shakespeare, imortalizado na Tragédia de Hamlet, é emblemático das “mal traçadas” que seguem. 

ATO I

Durante os anos da “Guerra Fria”, o mundo dividiu-se em dois blocos antagônicos, liderados, de um lado, pelos Estados Unidos, e de outro pela União Soviética. Os regimes de força implantados nos diversos países da América Latina, dentre esses o Brasil, alinhados com os EUA, tinham como “inimigo” o regime vigente na URSS e seus aliados, como sabemos o regime comunista. 

Nesse contexto, durante o período da ditadura militar no Brasil (ou da “revolução”, como preferem seus adeptos), a expressão “comunista” ultrapassou o sentido de adepto de uma ideologia política para se tornar sinônimo do “pior defeito” de alguém. Os de minha geração haverão de lembrar que “comunistas comiam criancinhas...”. 

No imaginário popular, as pessoas não tinham a mínima noção do que era mesmo um comunista, mas sabiam que era “coisa ruim”. Essa pecha colocava o sujeito sob grave suspeição. Depois de enfileirados os defeitos de alguém, finalizavam dizendo: “até comunista é”. 

ATO II

Nesse mesmo tempo, ainda na vigência dos “anos de chumbo”, recém saído da faculdade, retornei à minha aldeia para exercer a advocacia. Logo, inconformado com a situação encontrada, coloquei-me em posição contrária aos “senhores locais”. Literalmente, comprei briga com o Prefeito, com o Padre e com o Delegado, passando à militância política no único partido de oposição. 

Não fosse isto suficiente, fui fundador de uma instituição cultural, que não pediu licença nem favores aos “donos do pedaço”, editei um jornal e, para “piorar”, era advogado de sindicatos de trabalhadores. Com essa ficha toda (muito mesmo para meus escassos 27 ou 28 anos à época), logo surgiram comentários velados: “é comunista”. 

Aquilo que os toscos mandarins e seus áulicos asseclas pensaram me impingir como um defeito, estimulei, também sutilmente, achando até divertida a ideia (afinal, eu passara a ser qualificado como “perigoso”), embora nunca tenha efetivamente exercido militância no velho PCB ou nos novos PCs. Necessário registrar que tenho amigos comunistas e até compadres (mas nunca vi espetarem criancinhas nos churrascos que assamos juntos). 

Bueno, dito isto, para minha tradução à época, ser taxado de comunista, na conotação dada pelos iletrados locais, era ser contra aquele regime ditatorial, era não “se vender”, não “se assustar” e não se omitir. Se para eles isso era ser comunista, então eu era. 

ATO III

Os tópicos anteriores são introdutórios ao registro que faço agora. Não sou adepto, nem defensor, do governo que aí está. Também, não acho que seja um “governo de comunistas”, ou teriam se convertido a essa ideologia José Sarney, Collor de Melo, Paulo Maluf e outras “grandes figuras” da nação? 

Numa controvérsia de opiniões com um amigo aqui da rede social, falando sobre o atual momento do país, quando eu me insurgia contra a pregação por um golpe militar, me dizendo um democrata, ele finaliza dizendo: “sempre pensei que fosses comunista”.

Acho que o registro foi no sentido de que, sendo “comunista” não seria “democrata”. Nem entro nesta questão, por ultrapassada. Como já disse, discordo do governo que está aí, independente da roupagem dos que integram a chamada “base de sustentação”. Entretanto, tenho discordância ainda maior com a pregação reacionária por um golpe militar. 

E se, ao me opor à pregação por um golpe militar, reavivarei a pecha de “comunista”, para os reacionários, isto não me incomoda. Vou começar a organizar um “soviet” para derrubar a burguesia aqui do Bairro Bom Fim. Vamos começar “ocupando” as cervejarias e galeterias, bebendo todas e comendo coxinhas.


Nota: postado no facebook em 19.03.16


O MOMENTO DO BRASIL - III



CARTA DE SEU PAULO AOS CORINTIANOS  

Seu Paulo é um pacato cidadão. Gosta de futebol, já frequentou estádios. Hoje, diante da violência das torcidas e das falcatruas dos cartolas, limita-se a ver os jogos pela TV e comentar o tema com amigos próximos. Evita discussões mais acaloradas, especialmente com amigos mais fanáticos. 

Seu Paulo é "santista". Nem sabe exatamente porque, talvez pela influência do ídolo Pelé, em sua infância, pela cor da camisa, que lembra a paz, ou, talvez mais ainda porque Seu Paulo acredita em santos (pelo menos mais do que nos cartolas...). 

No próximo domingo, dia 13 de março, haverá uma partida entre Corinthians e Palmeiras. As torcidas estão fazendo pesadas provocações pelas redes sociais. Alguns, mais fanáticos, fazem verdadeira apologia à violência. 

Seu Paulo, diante do clima tenso, resolveu fazer sua parte. Escreveu uma "Carta aos Corintianos". Fala do verdadeiro sentido do futebol, diz que o jogo deve ser jogado dentro das 4 linhas do gramado. Publicou sua carta na rede social, alertando pelos riscos de que as provocações e bravatas (mesmo que apenas pela bravata virtual) poderão instigar violência grave. 

Perguntado porque não destinou sua mensagem aos palmeirenses, desconversou. Intimamente, ele sabe que os fanáticos da camisa verde são em menor número, saudosistas de campeonatos distantes no tempo e ainda ressentidos pelo passeio na segunda divisão. 

Seu Paulo tem mais temor do fanatismo dos corintianos, inspirados por lideranças mistificadoras, enquanto as "organizadas" palmeirenses tem porta vozes caricatos, que ainda imaginam a escalação de um Edmundo para resolver a falta de gols e títulos. 


Seu Paulo, o santista, está convicto de que fez sua parte com a CARTA AOS CORINTIANOS.

Nota: postado no facebook em 09.03.16

O MOMENTO DO BRASIL - II


MATURIDADE (OU ESTÔMAGO SENSÍVEL)   


Com uma vida dedicada à defesa de direitos (33 anos de advocacia), com mais de 25 anos de militância política na linha de frente (enfrentando ainda os resquícios dos anos de chumbo), atuando como advogado de sindicatos, tenho uma história de vida que me orgulha. Não ganhei fama, não enriqueci, mas tenho a consciência tranquila de ter cumprido meu papel, num tempo em que muitos se se amedrontaram, se omitiram, se venderam (e ainda se vendem...).

Tive a oportunidade de vivenciar ativamente a transição da história de nosso país, de um regime de ditadura para uma democracia. E tenho convicção de que "a pior das democracias é melhor do que a melhor das ditaduras". 

Sei que vivemos momentos difíceis, onde seguramente temos a pior "safra" da classe política, eleitos pelo poder econômico do "andar de cima", eleitos pela fome do "andar de baixo", eleitos pelo comodismo e pela omissão daqueles que não acreditam na política. 

Tudo isto digo, para registrar que meu silêncio sobre o temário político, neste espaço de rede social, não é omissão. É que, nesta fase da vida, quando penso estar me aproximando da maturidade, prefiro preservar amigos próximos, queridos, que os tenho em todos os campos ideológicos (aos quais respeito, mesmo quando discordamos, e sou grato e feliz por te-los como amigos, pois que temos convergências afetivas). 

Eu, que ainda trago (como dizia o poeta), a poeira dos subúrbios nas botinas, e o clamor dos oprimidos nos ouvidos, me permito não tomar partido nessa "briga de bugios" da rede social, onde se fazem revoluções no sofá da sala, sob a trincheira da telinha do computador. 

A certeza de que vivemos uma democracia, ainda incipiente e que precisa muito ser preservada e aperfeiçoada, é que qualquer um, via teclado e telinha, compartilha suas ideias, a favor ou contra, e continua com suas unhas e seus dedinhos sadios para continuar teclando. 

Por tudo isto, continuarei ausente do debate político neste espaço, mas atento e vigilante em defesa da democracia, contra qualquer extremo, venha de onde vier (apesar de não acreditar muito no poder desses "combatentes" virtuais).


Nota: postado no facebook em 05.03.16