Antes
de tratar sobre o tema anunciado na postagem anterior desta série, julgo
oportuno uma breve apresentação sobre minha participação no cenário político de
Santana da Boa Vista, de onde trago a vivência, referências e credenciais para
a série de postagens sob o título acima.
Em
1984 retornei à minha cidade para exercer a advocacia. De chegada, renunciei à
oferta de um contrato para lecionar na escola estadual de 2.º grau por não
aceitar a condição de “assinar ficha” no partido do governo, o então PDS,
sucessor da velha ARENA, partidos de sustentação ao ciclo de governos
militares.
Não
desejava me envolver na política local, mas apenas dedicar-me à minha atividade
profissional. No entanto, jovem e idealista, logo me envolvi com os assuntos da
comunidade e, já no início de 1985 participei da fundação da instituição
cultural Clube do Livro Coriolano Castro (com a primeira sede no meu escritório
de advocacia) e do jornal Clarim Santanense, do qual fui o primeiro diretor.
Ao
mesmo tempo, passei a escrever uma coluna semanal no Jornal A Atualidade, da
vizinha Caçapava do Sul, e também atuar como advogado de sindicatos de
trabalhadores naquela cidade. Só faltava usar barba grande para completar o
“perfil”... Deixei crescer a barba.
A
estas alturas, em pouco mais de um ano da chegada na aldeia, atuando de forma
independente, eu já me tornava “incomodo” aos senhores locais, habituados a
manter no “cabresto” aqueles que dependiam das benesses do poder, e numa comunidade
pobre estes eram a maioria...
Naquele
distante 1985, apenas dois partidos políticos atuavam no município. O PDS
(ARENA), vencendo todas as eleições desde a emancipação (salvo um acidente de
percurso, matéria para outra postagem) e o PMDB, reunindo a oposição local.
O
partido de oposição não conseguia organizar o chamado “Setor Jovem”, pois sendo
a Prefeitura Municipal o maior empregador da cidade, sem a necessidade de
concursos públicos para ingresso, os jovens ou eram cooptados ou permaneciam
temerosos de uma exposição política.
Foi
neste cenário que numa tarde chuvosa do inverno de 1985 recebi em meu
escritório a visita de quatro cidadãos, meu tio Gomercindo Rodrigues da Rosa,
meu compadre Cyro Rios Mesquita, o Vereador Dário Gonçalves Dias e o Presidente
do Diretório Municipal do PMDB Ricardo Linhares Dias, os quais me formalizaram
o convite para ingressar no partido e organizar o Setor Jovem Municipal.
Como
eu já estava integrado à comunidade, conhecendo o cenário político local e
consciente da necessidade de mudanças, topei a parada. Logo depois, numa
convenção com meia dúzia de jovens, fui aclamado o primeiro Presidente do Setor
Jovem Municipal do PMDB. A partir daí, tem início uma trajetória encerrada no
ano de 2009, quando por discordância com os rumos locais do partido me afastei
da atividade política. Mais tarde, transferi meu domicílio eleitoral para Porto
Alegre.
Afastado
da política local há dez anos, penso ter alcança a distância, no lugar e no
tempo, para abordar de público estes assuntos. A propósito, o título da série
vem daí: Cachorro que come ovelha...
Postado no facebook em 11/12/2019
Postado no facebook em 11/12/2019
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