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sexta-feira, 6 de março de 2020

CACHORRO QUE COME OVELHA - IV


Antes de tratar sobre o tema anunciado na postagem anterior desta série, julgo oportuno uma breve apresentação sobre minha participação no cenário político de Santana da Boa Vista, de onde trago a vivência, referências e credenciais para a série de postagens sob o título acima.

Em 1984 retornei à minha cidade para exercer a advocacia. De chegada, renunciei à oferta de um contrato para lecionar na escola estadual de 2.º grau por não aceitar a condição de “assinar ficha” no partido do governo, o então PDS, sucessor da velha ARENA, partidos de sustentação ao ciclo de governos militares.

Não desejava me envolver na política local, mas apenas dedicar-me à minha atividade profissional. No entanto, jovem e idealista, logo me envolvi com os assuntos da comunidade e, já no início de 1985 participei da fundação da instituição cultural Clube do Livro Coriolano Castro (com a primeira sede no meu escritório de advocacia) e do jornal Clarim Santanense, do qual fui o primeiro diretor.

Ao mesmo tempo, passei a escrever uma coluna semanal no Jornal A Atualidade, da vizinha Caçapava do Sul, e também atuar como advogado de sindicatos de trabalhadores naquela cidade. Só faltava usar barba grande para completar o “perfil”...  Deixei crescer a barba.

A estas alturas, em pouco mais de um ano da chegada na aldeia, atuando de forma independente, eu já me tornava “incomodo” aos senhores locais, habituados a manter no “cabresto” aqueles que dependiam das benesses do poder, e numa comunidade pobre estes eram a maioria...

Naquele distante 1985, apenas dois partidos políticos atuavam no município. O PDS (ARENA), vencendo todas as eleições desde a emancipação (salvo um acidente de percurso, matéria para outra postagem) e o PMDB, reunindo a oposição local.

O partido de oposição não conseguia organizar o chamado “Setor Jovem”, pois sendo a Prefeitura Municipal o maior empregador da cidade, sem a necessidade de concursos públicos para ingresso, os jovens ou eram cooptados ou permaneciam temerosos de uma exposição política.

Foi neste cenário que numa tarde chuvosa do inverno de 1985 recebi em meu escritório a visita de quatro cidadãos, meu tio Gomercindo Rodrigues da Rosa, meu compadre Cyro Rios Mesquita, o Vereador Dário Gonçalves Dias e o Presidente do Diretório Municipal do PMDB Ricardo Linhares Dias, os quais me formalizaram o convite para ingressar no partido e organizar o Setor Jovem Municipal.

Como eu já estava integrado à comunidade, conhecendo o cenário político local e consciente da necessidade de mudanças, topei a parada. Logo depois, numa convenção com meia dúzia de jovens, fui aclamado o primeiro Presidente do Setor Jovem Municipal do PMDB. A partir daí, tem início uma trajetória encerrada no ano de 2009, quando por discordância com os rumos locais do partido me afastei da atividade política. Mais tarde, transferi meu domicílio eleitoral para Porto Alegre.

Afastado da política local há dez anos, penso ter alcança a distância, no lugar e no tempo, para abordar de público estes assuntos. A propósito, o título da série vem daí: Cachorro que come ovelha...

Postado no facebook em 11/12/2019


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