Como
escrevi na postagem anterior desta série, publicada ontem, em 1985 fui eleito o
primeiro Presidente do Setor Jovem Municipal do PMDB de Santana da Boa Vista.
Na
sequência, exerci a Presidência do Diretório Municipal em três gestões, sempre
chamado em momentos de crise. A primeira, a partir de 1989, depois de uma crise
e divisão interna do partido iniciada em 1987 e uma pesada derrota eleitoral
nas eleições municipais de 1988.
Reorganizamos
o partido, buscamos a pacificação das lideranças e fizemos um planejado e
permanente trabalho de organização das bases, com a instituição de núcleos em
todo o interior do município. Com apenas 3 vereadores numa composição de 9
cadeiras da Câmara Municipal, fizemos uma oposição ao mesmo tempo combativa e
propositiva. O resultado veio nas eleições municipais de 1992, com a eleição do
Vereador Neto Rosa para Prefeito Municipal, iniciando um novo ciclo na história
política do município.
Ainda
durante aquela primeira gestão do Prefeito Neto Rosa, veio nova crise, com o
pedido de desfiliação do vereador mais votado da bancada e o licenciamento do
Presidente do Diretório Municipal. Corria o ano de 1995 quando o
Vice-Presidente do Diretório do PMDB, no exercício da presidência, o saudoso
líder Aníbal Rosa, me convocou para a missão.
Já
residindo na Capital (desde 1992), assumi pela segunda vez a Presidência do
Diretório Municipal, reconciliando o vereador “retirante”, que permaneceu no
partido e veio a se eleger Prefeito nas eleições de 1996. Conduzi a “gestão da
crise”, passando a ser uma espécie de “palha entre os ovos”, indo quase todos
os finais de semana para a aldeia “apagar os pequenos incêndios”. Coordenei a campanha eleitoral vitoriosa de
1996 com este papel, de “bombeiro”.
A
imagem de inquietações foi refletida no “palanque da vitória”, quando a equipe
de campanha entregou ao Prefeito eleito uma mala “sem alça e sem rodinhas”, com
algumas pedras dentro, representando o que fora a campanha... (tenho em meus
guardados uma fita de vídeo, exemplar único, que registra esse momento).
Já
antes da posse, os fortes atritos entre o prefeito eleito e o que encerrava a
gestão alimentava nova crise. Em 1997, mesmo após importante vitória, o cenário
era de conflitos e intrigas. Novamente, sob os apelos das mais importantes
lideranças do partido, fui reconduzido à Presidência, para o terceiro mandato,
este encerrado em 1999.
Ainda
em 1997, na condição de Presidente do Diretório Municipal e amigo pessoal de
ambos, fui testemunha única do atrito final entre o novo prefeito e o anterior,
em reunião para tentativa de conciliação ocorrida no meu escritório em Santana.
Ao início de 1998, numa reunião preparatória da campanha das eleições gerais
daquele ano, o então prefeito, na presença de dezenas de companheiros,
formalizava de modo pouco civilizado sua ruptura também comigo.
Era
o “final dos tempos” da união daqueles três líderes jovens. Em setembro de
1999, o Prefeito trocava de partido, levando consigo, no “cabresto”, os
detentores de cargos em comissão e o valor dos depósitos das contribuições
partidárias dos filiados ao PMDB, as quais viriam a sustentar sua campanha da
reeleição por outro partido no ano 2000, vencendo exatamente o anterior
prefeito Neto Rosa.
Na
campanha eleitoral do ano 2000, igualmente participei da organização e
coordenação. Uma campanha sem recursos e com ausência de expressivo contingente
de companheiros que haviam “se bandeado”, pois como diz o autor da memorável
obra “Antônio Chimango”, “quem tem mel para dar, junta moscas”. Após o
resultado da eleição, fiz a “última fala da campanha”, em frente ao comitê. Não
era candidato nem mais dirigente partidário, mas assumi essa responsabilidade.
Afinal, as vitórias têm muitos pais, mas as derrotas são órfãs...
E
vieram as eleições de 2004, na qual tive uma participação mais à distância
(planejamento e assessoria jurídica), onde o Prefeito Neto Rosa foi eleito para
o segundo mandato. Durante o período de gestão, participei ativamente do
esforço para reorganização do partido, especialmente retomando a organização
dos núcleos da base e da interatividade entre governo municipal e comunidade.
Nesse
período, já se constatavam problemas e vícios, trazidos por alguns que haviam
“ido e voltado”. Em lugar da organização partidária e da valorização da base e
das relações com a comunidade, preferiam o velho modelo do populismo e do
clientelismo. Eram fortes os sinais de um ciclo virtuoso que se encerrava. O
resultado das eleições de 2008 apenas refletiu esta situação.
Oportuno
registrar que no período compreendido entre 2005 a 2008, mesmo com atividades
na capital e outras regiões do estado, voltei a ter uma presença constante em
minha cidade. Nesse período, participei da reorganização do Clube do Livro
Coriolano Castro, conciliando a situação de conflito gerada pela esdruxula
existência de duas diretorias na mesma instituição (do Clube do Livro e da
Rádio Comunitária), reabrindo a biblioteca (que estava fechada) e retomando a
circulação do jornal Clarim Santanense. Entre 2007 a 2008, produzi e apresentei
aos sábados, na Rádio Comunitária, o “Programa Comunidade & Cidadania”.
Hoje,
tenho consciência de que minha disposição de servir, de me engajar na busca de
soluções, e a visibilidade daí decorrente, gerou ciumeiras, hostilidades
dissimuladas e boicotes, talvez com reflexos inclusive nas questões eleitorais,
mesmo que eu nunca tenha alimentado “projetos pessoais”, sempre atuando pelo
“coletivo”.
Enfim,
veio 2009 e as consequências de uma derrota eleitoral que as “lideranças” de
ocasião se recusavam analisar para projetar o futuro, como fizemos 20 anos
antes, em 1989. Sentindo que o cenário era outro, e que minhas ideias e ações
já não contribuíam, retirei-me silenciosamente.
Na
próxima postagem, finalizo esta série, falando sobre o que veio a partir de
2009 e os ruídos de 2019.
Postado no facebook dia 12/12/2019
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