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sexta-feira, 10 de abril de 2015

30 ANOS DO CLUBE DO LIVRO

30 ANOS DO CLUBE DO LIVRO CORIOLANO CASTRO
EM SANTANA DA BOA VISTA

                       Os santanenses podem se orgulhar de possuir uma
               instituição  "sui generis", sem similar em todo o estado


No dia 18 de março de 1985, num final de tarde, tendo como local o meu modesto escritório de advocacia (numa garagem adaptada), reuniu-se um pequeno grupo de pessoas com a intenção de fundar uma instituição cultural. Ali nascia o CLUBE DO LIVRO CORIOLANO CASTRO, tendo como finalidade inicial organizar e manter uma biblioteca para uso de seus associados.
Se não me falha a memória (a ata de fundação, que não disponho no momento, poderá corrigir eventual omissão), foram 7 (sete) os fundadores, abaixo nominados, aos quais logo vieram somar-se outros que participaram da discussão e aprovação dos estatutos e da eleição da primeira diretoria, já na data de 11.06.1985, quando foi eleita presidente a Professora Clotildes Borges.
Sócios Fundadores (em ordem alfabética): Aroldo Dorneles de Oliveira; Cyro Rios Mesquita; Clotildes Borges; Dinorá Rosa Mesquita; José Alvarino Borba; Maria Geni de Oliveira (já falecida) e Moacir Donato Rosa de Oliveira.

O Clube do Livro, ao longo dessas três décadas, ampliou a biblioteca, hoje aberta à comunidade (a única existente além das bibliotecas escolares), editou por muitos anos o único jornal da cidade, o CLARIM SANTANENSE e, a partir de 1999, agrega em sua estrutura a rádio comunitária (Rádio Santana).
Trata-se, a toda evidência, de uma rica trajetória e de uma bela história, que está a merecer uma comemoração especial. Os santanenses podem se orgulhar de possuir uma instituição "sui generis", sem igual em todo o estado (não se tem notícias de similar que agregue uma biblioteca, um jornal e uma rádio comunitária).
Ao completar os 25 anos da fundação, propus uma comemoração especial. Na época, a instituição vivia tempos de turbulência, e a proposta sequer foi considerada. Agora, nesta "data redonda" de 30 anos, novamente propus uma comemoração, envolvendo, dentre outras atividades, reunir os sócios fundadores e lançar um concurso literário alusivo a história dos 30 ANOS DO CLUBE DO LIVRO.
Tive notícia, pelo Presidente Renato Soares, da acolhida inicial da proposta (por parte dele), que estaria sob análise da Diretoria. Contudo, não tive mais informações, acreditando que a analise da proposta ainda está em andamento.
Individualmente, faço meu registro, na data exata em que comemoramos 30 anos de fundação, fazendo minha homenagem à instituição, a todos quantos ao longo do tempo dedicaram esforços para conservá-la, fiéis aos seus objetivos. Cumprimento, também, a atual Diretoria, especialmente pela recondução do Clube do Livro aos seus princípios e objetivos.
Quanto à comemoração, caso não ocorra neste ano, teimoso que sou, vou voltar à proposta nos 35, nos 40 e nos 50 anos. Espeço que quando houver esta comemoração a maioria dos sócios fundadores possa estar presente e ainda com o mesmo vigor e idealismo de 30 anos atras.
Nota: Postado no facebook dia 18.03.2015

domingo, 8 de junho de 2014

NUM FIM DE TARDE


 Era início de junho. O outono já tomava o mate do estribo e o inverno chegava à galope. O sol acabava de mergulhar por entre os cerros e no céu azul, azul, logo se poderia ver a estrela boieira anunciando a noite. Uma aragem fria completava o quadro.

O açude parecia um espelho plantado na várzea. Os quero-queros davam o sinal de alguma movimentação lá pros lados da coxilha do fundo. O gado começava a se acomodar no parador. As vacas de leite ainda rondavam o potreiro onde os terneiros já quase na fase do desmame ainda retoçavam. 

De não muito distante, vem o balir dos primeiros cordeiros nascidos, o que faz o João Grosso esbravejar contra os graxains, pois ontem encontrou um cordeiro morto com mordidas. A estas alturas a estrela boieira já tem companhia no céu, onde a lua desponta por traz do capão de mato.

O preto Zeca entra no galpão, onde o fogo aquece e ilumina o ambiente. No canto de sempre, o Velho Manoel sorve o mate em sua cuia pequena. Mateia solito, enchendo os mates com água da cambona encarvoada. Geralmente, é de pouca conversa, mas quando está “aluado” é de conversa nenhuma...

Zeca dá um “buenas” e pergunta onde está o Lelo. Depois de longa pausa, o velho responde: “foi levar o milho pros cavalos, aquele lá proseia com os matungos”. O peão dá uma gargalhada, não se sabe se pelo mau humor do velho ou imaginando o amigo a prosear com os cavalos. Vai até um gancho na parede e pega uma guampa de canha, abre a tampa e dá um trago (haarg!!), lambe os beiços e vai reforçar o fogo.

Nisto João Grosso, que ainda falava sozinho dos graxains, se bem que desconfiasse dos cachorros de um vizinho, lascou: “se parar o ventinho vai dar uma geada de renguear cusco”.  Lelo também chega ao galpão. Os moços falam do tempo, das lidas do dia, das carreiras do próximo fim de semana, enquanto passam a guampa do trago. O velho mateia, só e quieto.

Completando o cenário, os cachorros fazem companhia aos peões. João Grosso começa a espetar uma linguiça para assar nas brasas do fogo. Ouve-se o piado de uma coruja. O velho resmunga alguma coisa, inaudível. Os peões falam alto e gargalham. Ali no galpão, ao redor do fogo, se resume o mundo e a vida, num fim de tarde...

Moacir Donato






domingo, 16 de março de 2014

DAS CAVERNAS AOS NOSSOS DIAS

DAS CAVERNAS AOS NOSSOS DIAS
Convivência, Conflitos, Regras de Conduta e Cidadania

Nos primeiros tempos os seres humanos eram nômades. Deslocavam-se de um lugar para o outro, levando o pouco que tinham, alimentando-se da caça e de frutos oferecidos pela natureza. Consta que a primeira atividade produtiva mais organizada foi o pastoreio de rebanhos, obrigando-os a constantes deslocamentos em busca de melhores pastagens.

Com a revolução agrícola o homem fixou-se à terra e, assim, começou uma longa jornada de evolução da história da humanidade. Naqueles tempos primitivos, ainda não havia regras organizando o convívio. Valia a “lei do mais forte”. Esta situação, na medida em que a população aumentava, foi tornando a vida difícil. Os crescentes conflitos entre as tribos e entre indivíduos da mesma tribo colocavam em risco à própria sobrevivência da espécie.

Não se sabe com exatidão quando e onde tudo começou. Talvez ao mesmo tempo em lugares diferentes ou em tempos diferentes, com os anciões da aldeia sentados em círculo ao redor do fogo, os homens começaram a estabelecer regras de convivência. Surge o que, muito mais tarde, passou a ser explicado pela teoria do “Contrato Social” (Rousseau, 1.762).

Segundo esta teoria, diante das dificuldades, dos conflitos, da insegurança que isto gerava, os seres humanos entenderam que de nada valia a um indivíduo ter todo o direito, se outro indivíduo, também tendo todo o direito, podia desrespeitar os direitos dos demais.

Deste modo, o princípio do Contrato Social foi o entendimento de que o direito de cada um encontra o seu limite onde começa o direito do outro. Para garantia dos direitos individuais e coletivos, foram criadas regras de conduta. Esta é a origem do Estado, do Governo e das Leis. Este foi o caminho que a humanidade trilhou desde o tempo das cavernas, da barbárie, até os dias atuais.

Nem tudo é perfeição. Contudo, graças ao sistema de normas que regem o comportamento, hoje sabemos que não é permitido matar, roubar, violar as regras de trânsito, ou descumprir qualquer lei instituída, sob pena de sofrermos as sanções daí decorrentes. Este regramento tem como objetivo assegurar o bem estar e a paz social.

Podemos discordar do governo, podemos achar determinadas leis injustas, podemos criticar muitas situações. Entretanto, a humanidade somente sobreviveu até hoje graças à existência de regras assegurando direitos, promovendo garantias e limitando as condutas antissociais.

Assim, qualquer indivíduo, durante toda a vida, independente de posição social, convicções ideologias ou religiosas (tendo-as ou não), terá seu comportamento e seus atos submetidos a regras. O descumprimento destas regras certamente o colocará na condição de infrator ou criminoso.

Neste contexto, podemos afirmar que a educação para o exercício da cidadania tem início no convívio familiar, pois a família é o núcleo da sociedade. O lar é o primeiro e o melhor lugar de aprendizado para o convívio em sociedade. Oportunidade única, muitas vezes incompreendida por pais e filhos, é nas relações familiares que se formam o caráter e a postura dos cidadãos, com reflexo na própria sociedade.

É curioso vermos como “figuras públicas”, que muitas vezes pretendem influenciar, representar ou dirigir a os interesses coletivos, não conseguem sequer promover a harmonia em seus próprios lares, ou ainda constituir-se em exemplo a ser seguido.  Aí talvez possamos identificar a origem de parcela significativa dos problemas que afligem a sociedade nos tempos atuais.



    

domingo, 24 de novembro de 2013

EDUCAÇÃO DOS FILHOS - Formar cidadãos ou delinquentes juvenis?

Muito se tem falado sobre a educação das novas gerações, ou mais diretamente, na condição de pais, sobre a educação que estamos alcançando aos nossos filhos. E aqui não falo da escola, instituição para a qual parece que muitas vezes os pais pretendem transferir toda a responsabilidade. Falo da responsabilidade primária dos pais na orientação dos filhos para o convívio em sociedade, com respeito às normas de convivência, para o exercício da cidadania, como titular de direitos e de obrigações.

Um exemplo típico a ilustrar o tema proposto é o comportamento adotado por jovens que tem acesso ao uso de automóveis. Jovens educados em famílias que primam pelo respeito aos demais e, especialmente, pela segurança de seus filhos, fazem uso do carro como um utilitário que lhes permitirá melhores condições de mobilidade, seja para acesso ao trabalho, à escola ou em atividades sociais. Compreensível até alguma vaidade e exibicionismos típicos da juventude, desde que sem excessos que coloquem em risco a própria segurança ou de terceiros.

Em outro extremo vamos encontrar jovens que transformam esses mesmos utilitários em verdadeiras “máquinas de agressão” à tranquilidade e à segurança alheia, obrigando todos a compartilhar dos ruídos que chamam de “som”, em volume insuportável, independente de local e horário. Pior ainda, quando resolvem transformar a via pública em pista de acrobacias em alta velocidade, sem medir riscos e consequências.  As notícias frequentes de acidentes, por vezes com vítimas fatais, deveriam servir de alerta aos pais ao colocarem um carro à disposição de seus filhos.

Sem entrar no mérito quanto à utilidade de um automóvel, passo a comentar a responsabilidade dos pais ao colocar nas mãos de um filho o que poderá ser um utilitário ou uma arma, dependendo da educação familiar transmitida a esse jovem. É certo que filhos educados para respeitar os demais, dentro da premissa de que seu direito termina onde começa o direito do outro, não farão uso de seus carros “tunados” para perturbar o sossego alheio e, principalmente, conduzirão os veículos de modo responsável e seguro.

Em sentido contrário, filhos de pais que não tem noção de limites, que utilizam o carro como um símbolo máximo de status, que geralmente pensam (e transmitem aos filhos) que seu poder econômico ou político os coloca acima da lei, irão usar o carro de forma abusiva e irresponsável, podendo ir da simples perturbação do sossego (que já constitui ato ilícito) até a provocação de acidentes graves, muitas vezes com vítimas inocentes, ou ainda com a destruição do patrimônio público ou de terceiros. 

A título de reflexão, para a qual convido os pais desses moços que pilotam carros com alta parafernália sonora ou que costumam exibir-se perigosamente na via pública, deixo alguns questionamentos sobre a educação que estão dando a seus filhos:

- Sem o respeito às regras de convívio social e aos direitos dos demais, esperam que seus filhos venham a ser verdadeiros cidadãos?

- Ao negligenciar na vigilância ou “fazer vista grossa” para os excessos cometidos, não temem estar estimulando a transgressão às leis, que numa escala crescente poderá dar origem a um delinquente contumaz?

-  Independente da licitude dos atos e do respeito às regras de convívio social, não temem pela responsabilidade decorrente de acidente tendo terceiro como vítima ou, pior, de um dia vir a sentir-se culpados pela perda precoce de um filho em acidente de trânsito?

domingo, 3 de novembro de 2013

AOS PROFESSORES

Escrever um artigo é sempre um desafio: a escolha do tema, o limite de espaço, a transmissão da mensagem aos leitores. Enfim, pensar, fazer opções, escrever, ler, dialogar, tudo exige usarmos o conhecimento.

Foi com este raciocínio inicial que sentei à frente do computador, ainda na dúvida sobre o tema. Olhei o calendário ao lado: aí vem o mês de outubro. Neste mês comemoramos o dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, e na mesma data, 12 de outubro, o Dia da Criança. Logo depois, em 15 de outubro, o Dia do Professor. Todos temas importantes. Qual a opção?

Voltei ao parágrafo inicial onde falava em pensar, ler, usar o conhecimento. Foi como fazer um mergulho no passado e lá estava eu, menino de 7 anos de idade, no meu primeiro dia de aula, vivendo um misto de curiosidade, medo e encanto. Na sequencia vieram os 5 anos do curso primário, nosso atual ensino fundamental de 8 séries.

Como num “vídeo tape”, revi minha alfabetizadora, a Professora Iraide Forgiarine Moreira, e ainda no primeiro ano as Professoras Célia Ferreira e Arlete Freitas; no segundo ano, minha tia e Professora Irotildes Rosa de Castro; no terceiro ano, a Professora Dilva da Silva Oliveira; no quarto ano, a Professora Geneci Moura; e no quinto ano, a Professora Ernilda Oliveira Garcia.

Estas educadoras foram as responsáveis pela base de minha formação. Embora eu nunca antes tenha externado este reconhecimento, as tenho na mais elevada consideração e guardo seus nomes com respeito, carinho e agradecimento. De todos os mestres com quem tive a oportunidade de aprender as minhas professoras primárias são as mais importantes.

Em cada livro que leio, em cada texto que escrevo, em cada exercício de raciocínio, em cada novo conhecimento adquirido, tem um pouco (na verdade muito) da dedicação de minhas alfabetizadoras e professoras primárias. Por isto a escolha do tema para homenagear os verdadeiros heróis que existem em cada educador, especialmente os das séries iniciais.

Na pessoa de minhas professoras acima nominadas, com minhas alfabetizadoras Iraide Moreira e Celia Ferreira “in memoriam”, homenageio a todos os professores em seu dia. Bem sei das dificuldades imensas enfrentadas, da falta de condições de trabalho e do pouco reconhecimento da sociedade e dos governos.   


Concluindo, ao mesmo tempo em que lhes desejo um Feliz Dia do Professor, peço para que o Criador lhes dê força e perseverança para que continuem distribuindo a luz do saber. Como simples cidadão, não posso fazer leis ou mesmo fazer cumprir as que já existem para lhes garantir melhores e mais justas condições de trabalho. O que posso, e devo, é dedicar-lhes o meu respeito, meu reconhecimento e sinceros agradecimentos.    

- Artigo publicado no INFORMATIVO SANTANENSE (Edição Outubro/2013)

LOUCOS, MENDIGOS... OU IRMÃOS

Pela janela entreaberta do quarto entrava uma aragem, a brisa fina do fim da tarde. Era mês de agosto, porém fazia um belo dia, embora meio enfumaçado, como a dar mostras de que a primavera vinha se aproximando.

Não sei por que, de repente retrocedi no tempo e comecei a pensar em minha infância, já um pouco distante, meus sete anos. Lembrei-me do tempo em que Vovô Donato era vivo. Passou-me pela memória a casa grande e inevitavelmente recordei algumas figuras até certo ponto folclóricas da pequena aldeia que era então a cidade de Santana da Boa Vista.

Parecia estar vendo em minha frente aqueles dois mendigos, o Sarapião e o Julio Pata. Eram irmãos. Mas o que mais me impressionou foi a visão momentânea que tive do negro Diamarante, um débil mental, louco como todos o chamavam, quase nu a pedir comida pelas casas. Via agora os três, sentados na área da casa, onde minha avó Maria Altina servia-lhes comida todos os dias.

A visão passou, o tempo também. Já não sou mais aquele menino inocente, minha avó já não mora mais na casa grande, pois dali se mudou desde que meu avô faleceu. Os mendigos, e o louco também, já não existem mais. Um a um, foram desaparecendo e tão logo caindo no esquecimento, porém agora desenterrados pelo meu pensamento, que depois de ir à lua, a marte, ao fundo dos oceanos, ao ano dois mil, voltou no tempo e reviveu os mortos.

Então eu fico pensativo, me perguntando por que será que as criaturas humanas caem no esquecimento quando não tem quem lhes coloque uma cruz que ao menos diga: “aqui jaz Fulano, nasceu e morreu nesta aldeia”. Porque só nos lembramos daqueles cujos nomes enchem os livros de história? Teriam sido melhores? Duvido muito! Talvez tenham sido responsáveis por algumas centenas de mortos numa batalha... Grande ato!

Será que não caberia também num livro de história o nome de quem que nasceu, viveu e morreu, sem nunca ter feito mal a alguém? Será que não deveríamos ter mais um pouquinho de consideração por aqueles mendigos, loucos, maltrapilhos, seja lá o que for, mas que sobre tudo eram nossos irmãos?

Caxias do Sul, 22 de agosto de 1977


Nota: Este texto foi escrito há 36 anos, quando eu tinha 20 anos de idade, cursava o primeiro ano de faculdade e morava numa pensão em Caxias do Sul. Foi resgatado agora por minha mãe, Dona Neli, que vez por outra garimpa algum de meus rabiscos juvenis. A publicação, além de registrar um pouco da memória da aldeia, é uma homenagem à minha mãe, mestra nas lições de fé e de caridade.  

 - Artigo publicado no INFORMATIVO SANTANENSE  (Edição Setembro/2013)

CLARINADAS...

Para que serve um clarim? Além de produzir notas musicais, o instrumento foi utilizado, ao longo do tempo, para despertar ou para avançar (sob o toque do Clarim)...

Foi com o propósito de despertar consciências que, no ano de 1985, ao fundarmos o Clube do Livro Coriolano Castro e instituir o órgão de divulgação impresso damos ao informativo o nome de CLARIM SANTANENSE

O CLARIM SANTANENSE foi o primeiro e o mais longevo órgão de comunicação impressa do município. Criado sob a égide da redemocratização do país, caracterizou-se pela independência de opinião e por assegurar espaços a todos, mesmo para aqueles que desejassem discordar das opiniões expressas por seus editores. 

A independência do Clube do Livro e, especialmente, do CLARIM SANTANENSE, em mais de uma oportunidade incomodou aos "donos do poder local", habituados a manobrar pessoas e instituições colocados na situação de dependência. 

Ao mesmo tempo, este articulista envolveu-se em diversos segmentos da comunidade, exercendo plenamente seu papel de cidadão e estimulando outros que o fizessem. Logo, ganhou inimizades e antipatias, a maioria dentre os detentores do poder (porque será?). Numa decorrência natural, os "seguidores" ou "dependentes" dos "Senhores locais", também associaram-se a estas antipatias e malquerenças, na maior das vezes sem ao menos saberem porque. 

Daí a vincular o CLARIM SANTANENSE ao nome de seu primeiro diretor, o escriba signatário, foi um passo. Então o CLARIM tornou-se também mal visto aos olhos de expressivos segmentos, repetindo, a maioria sem saber porque (muitos sequer liam o jornal, mas já o criticavam...). 

Em certa oportunidade, quando a Diretoria do Clube do Livro da época discutia a possibilidade de voltar a editar o Informativo da instituição, um pseudo intelectual local propôs a mudança do nome. Está consignado em ata a proposição para quem quiser conferir. E porque mudar o nome? Certamente para desvincular o Informativo daquele a quem imaginavam estivesse vinculada sua existência (o que não é verdadeiro, pois muitas pessoas colaboraram com com o CLARIM SANTANENSE ao longo do tempo, tendo inclusive diversos diretores em suas diferentes temporadas de circulação). 

Enfim, eis que na atual gestão de Diretoria do Clube do Livro, voltou o Informativo da instituição a circular. Contudo, os dirigentes, possivelmente temerosos da repercussão junto à comunidade local, suprimiram do nome a expressão CLARIM. Esta supressão, por certo destina-se a desvincular o Informativo de sua história anterior, evitando que seja vinculado a algum nome indesejado. Assim, nesta nova vida o periódico traz o nome de INFORMATIVO SANTANENSE. 

A partir da segunda edição, fui convidado a escrever uma coluna, convite este que aceitei e passei a escrever meus artigos com todo o cuidado na escolha dos temas e da linguagem, para não assustar o público leitor (para o que apenas meu nome já é suficiente...), e, principalmente, para mostrar que "o diabo não é tão feio como dizem". 

Deste modo, na quarta edição do Informativo Santanense, a circular ao início deste mês, publicarei minha terceira participação, ciente de que muitas pessoas buscarão encontrar nas entrelinhas algo de subversivo. Sim, de subversivo, porque a imagem que divulgaram ao longo do tempo não permite que eu escreva um artigo sem "segundas intenções". Desnecessário estender comentários, diante da pública imagem que desfruto e, mais recentemente, da censura (creio que no momento já suspensa) a que fui submetido na Rádio Santana, uma rádio comunitária também integrante do Clube do Livro, do qual sou sócio fundador 

Para compartilhamento com os leitores deste blog, que não tenham acesso ao Informativo Santanense, vou reproduzir aqui os artigos publicados, após a circulação do informativo mensal, para não "furar" a edição.  Assim, na sequencia, vou postar os seguintes artigos:
- Loucos, Mendigos ou Irmãos (edição setembro);
- Aos Professores (edição outubro);
- Educação dos Filhos - Formar cidadãos ou delinquentes juvenis? (novembro). 

Neste blog, contudo, sob minha exclusiva responsabilidade, continuarei dando minhas clarinadas, sem preocupação com patrocinadores ou anunciantes, com a eventual interpretação distorcida do texto ou com reflexo na imagem, uma vez que, felizmente, não dependo da boa vontade ou de decisões dos poderes político e econômico de minha aldeia, como chamo carinhosamente nossa Santana da Boa Vista.