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domingo, 11 de agosto de 2013

11 DE AGOSTO


DIA DOS PAIS


Neste dia, lembranças de meu pai que já está em outra dimensão. Saudades do amigo, companheiro, conselheiro. Seus ensinamentos e lições de vida estão presentes em todos os meus dias, na herança genética do temperamento, na formação do caráter. Meu pai, minha referência. 

Procuro transmitir aos meus filhos a herança recebida: os princípios, a simplicidade, a solidariedade. Neste dia, passado e futuro se cruzam, na saudade de meu pai e na felicidade do abraço de meus filhos, meus amigos, meus companheiros, com quem aprendo mais do que ensino. 


DIA DO ADVOGADO

11 de agosto, Dia do Advogado. Mais uma data comemorativa, dentre tantas. Esta, contudo, é especial. Volto ao dia 11 de agosto de 1983, data em que recebi minha Carteira da OAB. Lembro o orgulho e a emoção ao receber a “vermelhinha”, em solenidade na OAB de Caxias do Sul, onde me formei. Os 30 anos desfilam agora em minha mente como um vídeo tape. 

Exerci a advocacia com paixão. Lutei pelo direito e pela justiça, sem fazer mercancia da profissão. Acreditei na “força do direito” contra o “direito da força”. Enfrentei os remanescentes do regime de exceção do país, vivi o sonho da construção da democracia, sofri as frustrações da má política, mas, teimoso, continuo acreditando na possibilidade de construir uma sociedade mais justa, mais humana, mais fraterna. Jamais fugirei à luta. Eu sou um Advogado.

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Notas:

Transcrevi esta postagem, feita inicialmente no face book, devido ao significado pessoal do dia. Não tenho feito postagens regulares neste blog, como gostaria. Mescla da falta de tempo e de indisposição. Ando mais ouvinte, observante, reflexivo, lendo muito, escrevendo pouco. 

Mas não soltem foguetes ainda, porque o CLARIM não silenciará. Seu toque continuará buscando despertar consciências, mesmo sem ter espaço na "imprensa falada e escrita" da aldeia, onde parece que continuo sob censura.

Por oportuno: se de público ando silente, nos processos tenho desfilado minha verve para denunciar as mazelas e o mau funcionamento de uma máquina judiciária burocratizada, lenta, emperrada, onde qualquer firula de natureza formal é pretexto para que se deixe de alcançar ao cidadão a devida prestação jurisdicional do estado. E tenho dito e assinado em baixo, no pleno exercício de minhas prerrogativas profissionais. 

sábado, 23 de março de 2013

ELEIÇÕES NO CLUBE DO LIVRO CORIOLANO CASTRO

ELEIÇÕES NO CLUBE DO LIVRO CORIOLANO CASTRO
EM SANTANA DA BOA VISTA

Enfim volto às postagens, com um tema de alta relevância para mim, as eleições da Diretoria do Clube do Livro Coriolano Castro em Santana da Boa Vista, que ocorrerão no próximo dia 1.º de abril.

No momento, transcrevo postagens feitas no facebook, incluindo participações. Vou continuar transcrevendo a evolução destas postagens, acrescendo comentários sobre as próximas eleições do Clube do Livro e, também, retomando as postagens periódicas neste blog.


Moacir Donato Nos próximos dias vou postar alguns comentários. Especialmente conterrâneos de Santana, fiquem atentos. Também estou retomando as postagens em meu blog. Tema: eleições na Diretoria do Clube do Livro, instituição que foi "apropriada" por uma "camarilha nefasta", atualmente liderada pelo "todo poderoso" Vice-Prefeito Municipal, eleito Presidente do Clube do Livro com apoio do "Paço Municipal". Parece que a candidata à sucessão do Poderoso Chefão é uma deslumbrada mocinha que apresenta (ou apresentava) o Programa do Clube do Livro aos sábados pela manhã. A propósito, já forneci meu endereço, no blog, para citações, intimações ou interpelações judiciais de eventuais incomodados. Parece que finalmente está chegando a hora do enfrentamento em campo aberto. Blog: ecosdoclarim.blogspot.com



  • Evandro Baptiste Bueno indiada, o Homem tá aí, quem vai falar alguma coisa contra?
  • Maria Inez Ferreira Trindade parabens Dr Moacir sempre lutando por Santana da Boa Vista. Abraço.
  • Moacir Donato Caríssima Inez. Obrigado pela participação. Antes, nos tempos da militância política, lutávamos por idéias. Agora, praticamente "banido" da terra natal, luto contra uma camarilha de usurpadores que apropriaram-se de tudo, diante de uma oposição inepta, inerte e destroçada. Mas como nos velhos tempos "a luta continua"!
  • Moacir Donato Notícias recentes, chegadas da boa terra de Santana, confirmam a tendência para que as eleições do Clube do Livro Coriolano Castro, a se realizarem no próximo dia 1.º de abril (mas é verdade), terão apenas uma chapa concorrendo, liderada pelo ex-presidente da instituição Renato Soares, o mais forte (talvez o único) opositor do último presidente eleito, Derli Melo, atualmente afastado em face da eleição para vice-prefeito. A candidata a candidata de situação, ao que parece, não está conseguindo formar sua chapa. O prazo para inscrição de chapas, contudo, encerra-se no próximo dia 26 de março. Aguardemos para ver. Será que os superpoderes estão se esvaziando? É, salto muito alto as vezes dá tombo... Por oportuno, o enfrentamento anteriormente referido terá continuidade no Judiciário, em processo que o Sr. Derli Melo move contra Renato Soares, tendo como defensor este causídico. Além de defensor, ingressei com requerimento para integrar o pólo passivo da ação, como assistente (na condição de réu) juntamente com o Renato, meu parceiro de muitas batalhas.



Enquanto atualizava as postagens no facebook, hoje, ouvia o programa de rádio do Clube do Livro,  transmitido pela Rádio Santana, uma emissora comunitária integrante da estrutura do Clube do Livro Coriolano Castro.



Falava a Presidente em Exercício, Prof.ª Eloisa Melo de Oliveira (Vice-Presidente que assumiu em substituição ao Presidente licenciado Derli Melo) tecendo comentários sobre suas gestões anteriores e o atual período. Embora eu mantenha divergências públicas com a Sra. Eloisa, sobre sua última gestão como Presidente eleita do Clube do Livro, alvo de notificação publicada neste blog, gostei de sua manifestação, de onde extraí veladas críticas à gestão do Sr. Derli, especialmente referente à aquisição de um carro para a Rádio Comunitária e à falta de controles sobre a utilização desse veículo.


Na sequencia, falei por telefone com o Renato Soares, o qual entre outras informações afirmou que, se eleito, pretende fazer a venda do mencionado carro. 

Renato Soares é ex-presidente do Clube do Livro Coriolano Castro e atual Diretor de Biblioteca, comprometido com a história da instituição e com os movimentos culturais de Santana da Boa Vista; idealizador do primeiro festival de música nativista de Santana, ao final da década de 80, a "Torunguenga da Canção", tem obras de poesia publicadas, sendo um batalhador incansável pela cultura local, com forte atuação no movimento tradicionalista. 

Na atual gestão de Diretoria do Clube do Livro, Renato discordou dos atos arbitrários do Presidente Derli Melo e da falta de transparência no exercício da presidência. Diante da ameaça, por Derli, de fechamento da biblioteca, Renato chegou a custear de seu próprio bolso a remuneração de uma funcionária para manter em funcionamento os serviços. 

As constantes cobranças feitas por Renato Soares para que o Presidente Derli prestasse contas de seus atos deram origem a uma ação que tramita no Foro de Caçapava do Sul, onde Derli pede indenização por danos morais que teriam sido praticados por Renato. Na condição de defensor de Renato, como advogado, e também requerente para integrar o pólo passivo da ação (na condição de réu), vou manter informações neste blog sobre a tramitação do processo até seu resultado final. 

A possível reviravolta na condução do Clube do Livro e a tramitação do processo judicial acima referido, servirão para descortinar muitos fatos, ocorridos ao longo dos últimos anos, onde um grupelho de pessoas se reuniu para usufruir politicamente da Rádio Comunitária (falo de política partidária/eleitoral). Neste cenário, a má fé de uns e a omissão ou ingenuidade de outros permitiram o cometimento de uma série de ilicitudes. Na sequencia de postagens vou detalhar melhor esta história. 

Uma síntese já se pode antecipar: quando um grupo de pessoas se reúne para o cometimento de atos ilícitos, esse fato tem uma denominação técnica - formação de quadrilha. Desse grupo, já tem gente cumprindo pena, embora por fatos aparentemente desvinculados mas enquadrados dentro do mesmo contexto, o abuso de poder e o sentimento de impunidade.  

As ilicitudes que a tempos venho denunciando, especialmente mediante notificação encaminhada à Diretoria do Clube do Livro, aqui publicada, vão muito além da falta de prestações de contas e da sonegação de contribuições previdenciárias pela Diretoria do Clube do Livro. Chegam até os poderes constituídos locais e a aplicação irregular de recursos públicos.  

Como sempre afirmo, meus endereços para eventuais citações, intimações ou interpelações, estão neste blog. Sei que os interessados tomarão conhecimento desta postagem, pois mesmo sem publicações há aproximadamente seis meses, o blog tem acessos diários (possível rastreamento de minhas manifestações). 

Até logo mais. 

Nota: sobre o tema, sugiro leitura de postagens anteriores neste blog: 
- Notificação à Diretoria do Clube do Livro - 07.08.2011
- O Plátano Falante - 14.08.211
- O Cuidador da Vaca - 08.03.2012
- Aniversário do Clube do Livro - 18.03.2012
- Carta Aberta ao Presidente do Clube do Livro - 15.04.2012
- O Clube do Livro em Tópicos - 25.04.2012



terça-feira, 21 de agosto de 2012

PEDRA DA CRUZ, OVNIS E OUTROS FATOS SOBRENATURAIS

Olá leitores! Retomamos as postagens, após longo intervalo.
Para início, estamos concluindo matéria sob o título PEDRA DA CRUZ, OVNIS E OUTROS FATOS SOBRENATURAIS, uma instigante matéria sobre discos voadores, ETs e outros fatos "sobrenaturais" ocorridos na região das Minas do Camaquã. 

Também serão retomadas as séries de matérias anteriormente iniciadas, agora com periodicidade semanal. 

Se você não "curte" a propaganda eleitoral, leia este blog no horário. Agora, se o seu gênero preferido é o surrealismo, então fique na propaganda eleitoral. 


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Pedra da Cruz - Minas do Camaquã - Caçapava do Sul - RS
Foto: Roque Oliveira

PEDRA DA CRUZ, OVNIS E
OUTROS FATOS SOBRENATURAIS 

O município de Caçapava do Sul é palco de belíssima paisagem natural, destacando-se a região das guaritas, um conjunto de formações rochosas que se estende até o município de Santana da Boa Vista, constituindo-se numa atração turística, especialmente de quem busca o turismo ecológico ou de aventura.

Na divisa entre os dois municípios, em Caçapava, está localizada  a Vila das Minas do Camaquã, uma mineração de cobre já desativada. Na vila permaneceram remanescentes da população dos mineradores. Além dos atrativos naturais, Caçapava do Sul e, em especial, as Minas do Camaquã, tem sido notícia pela ocorrência de OVNIS (objetos voadores não identificados), popularmente conhecidos como "discos voadores". Em Caçapava já existe um grupo organizado de estudos ufológicos e o tema tem atraído turistas, curiosos e estudiosos à região.

Pelo que se tem de notícias, o ponto de atração dos OVNIS nas Minas do Camaquã é a Pedra da Cruz, uma formação rochosa que se destaca ao lado da vila e na qual, há muitos anos, foi colocada uma cruz luminosa. A Pedra da Cruz é praticamente uma identidade do local e suas fotos constam em qualquer publicação encontrada sobre as minas. 

Uma curiosidade, apesar de constituir um símbolo das Minas do Camaquã, a Pedra da Cruz está localizada no município de Santana da Boa Vista, à margem do Arroio João Dias que divide os municípios. Resumindo: esse marco turístico de Caçapava do Sul fica, na verdade, no território de Santana da Boa Vista. 

Voltando aos OVNIS, as notícias dão conta da forte incidência de aparições na região das Minas do Camaquã. Parece que os discos voadores adotaram como referência de suas incursões a Pedra da Cruz, talvez pelo ponto luminoso em destaque, talvez por razões extraterrestres...

Até aqui nada além da natural curiosidade despertada pelo fenômeno ufológico e, possivelmente, a disputa pela titularidade do ponto de referência (Pedra da Cruz), que ao que se saiba nunca gerou qualquer incidente diplomático entre as duas potências. 

Eis que, talvez por influência dos ETs, marcianos, ou seja lá quem esteja tripulando as espaçonaves alienígenas, surgem na região outros fenômenos sobrenaturais. Dentre estes, destaca-se - devido ao período em que estamos vivendo,   a transferência de algumas dezenas de eleitores do município de Caçapava do Sul, residentes nas Minas do Camaquã, que reapareceram como eleitores do município de Santana da Boa Vista, mesmo sem lá residirem.

Segundo informes de fontes fidedignas, um contingente expressivo de eleitores residentes e domiciliados nas Minas do Camaquã, Município de Caçapava do Sul, lá pelas tantas, apareceu na condição de eleitor do município de Santana da Boa Vista, ao que parece, mediante comprovações fraudulentas de residência.

O fato, é certo, constitui uma ilegalidade, somada a outras, como a declaração falsa de endereço residencial.  A condição de eleitor é privativa de pessoas capazes, portanto responsáveis por seus atos. Logo, uma primeira indagação é: porque as pessoas cometeriam uma fraude desta natureza, sabendo estar infringindo a lei?

Na região, muitas são as teses sobre o "fenômeno". Uma delas é a de que estes eleitores teriam sido "abduzidos" por uma nave extraterrestre e "despachados" do lado santanense. Um bolicheiro da região, o Benemidio, garante que já viu um ET, disfarçado de agente do "Luz para Todos", circulando pelas redondezes e manipulando declarações falsas de residência. 

Perguntado ao Benemídio: "Mas qual o interesse desse ET?" Respondeu de pronto: "votos". À segunda indagação: Para quem? Benemínio desconversa e resmunga entre dentes: Esse "bicho" do disco voador quer ajudar alguém a embarcar numa "cauda de comêta" pegando carona no "Luz para Todos". 

Hum! Hum! Discos voadores, ETs, transferência fraudulenta de eleitores, cauda de comêta, Luz para Todos, essa conversa está ficando cada vez mais complicada. Coisa do outro mundo. Pedra da Cruz, cruz iluminada, discos voadores, Luz para Todos. Tudo muito confuso e, a pergunta recorrente: Como esses eleitores foram parar lá?

Pensando bem, só pode ser obra de extraterrestres e discos voadores. Dentre os habitantes de Caçapava e Santana da Boa Vista não deve ter alguém com estatura moral tão baixa para manipular domicílios eleitorais, seja lá para beneficiar que interesses.  Os ETs, possivelmente, não conhecem nossas leis. Logo, a eles não se aplica o princípio de que a ninguém é permitido descumprir a lei alegando seu desconhecimento.

Para encerrar, uma última pergunta: Será que o Ministério Público Eleitoral acredita em ETs?

Oxalá os extraterrestres e seus discos voadores, ao invés de fraudes, sejam portadores de "luz para todas" as consciências. 

Nota: Qualquer semelhança com fatos da vida real, inclusive quanto às referências e trocadilhos, pode não ser mera coincidência. 




segunda-feira, 28 de maio de 2012

BRASIL 2017 - III



Sumário:
Apresentação (Postagem I)
1. Prólogo (Postagem II)
2. Origens: Descoberta, Colônia e Monarquia (Postagem II)
3. A República em Ciclos
3.1 República Velha
3.2 Governo Getúlio Vargas
3.3 Anos Dourados
3.4 Anos de Chumbo
3.5 Abertura e Democracia
4. Nação e Cidadania
5. O Sexto Ciclo:  Uma encruzilhada no caminho
6. Palavras finais (ou iniciais...)



3. A República em Ciclos: República Velha, Governo Getúlio,
    Anos Dourados, Anos de Chumbo, Abertura e Democracia

3.1   A República Velha

O período denominado Republica Velha durou 41 anos, iniciando com a proclamação da república, em 1889, e culminando com a Revolução de 1930. O advento da república não foi, na completa acepção da palavra, uma revolução. Seguindo os moldes da América Latina, onde “as fardas costumam falar em nome da sociedade”, a proclamação da república foi uma quartelada, um golpe militar, representando interesses de parcelas das oligarquias dominantes.

Neste artigo não há espaço, nem é a intenção, para aprofundar a análise sobre o que mais convinha ao país, se o regime monárquico ou republicano. O que releva registrar é que a velha aristocracia logo se acomodou ao novo regime, mantendo o status quo por meio da prática do coronelismo. Sob a égide da república, no lugar dos barões agora os coronéis detém o poder regional.

O longo período da República Velha foi caracterizado por agitação política, com movimentos rebeldes localizados (como no Rio Grande do Sul, as revoluções de 1893 e 1923, dentre outras escaramuças), e por eleições fraudulentas. Daí surge a figura do “Cavalo do Comissário”, ou seja, do candidato da situação que terá, se necessário, o poder de “arrumar” os resultados eleitorais.

Aspecto importante a destacar é que menos de 5% da população em idade adulta tinha direito ao voto, considerando-se que analfabetos e mulheres não tinham a condição de eleitores.

Neste período, enquanto transcorria a segunda fase da Revolução Industrial (o automóvel, o avião e outros avanços), enquanto a humanidade estremecia com a Primeira Guerra Mundial (1914/1918), o Brasil movia-se a passos lentos sob a hegemonia da “Política Café com Leite” (domínio da política nacional por São Paulo e Minas Gerais).

Por fim, o desgaste do sistema político dominante, os efeitos da crise econômica de 1929 (quebra da Bolsa de Nova York e a Crise do Café no Brasil), além de fatores secundários; foram responsáveis pelo fim da “Política Café com Leite” e pela Revolução de 1930, levando Getúlio Vargas ao poder e encerrando o ciclo da República Velha. 

domingo, 6 de maio de 2012

ESTATÍSTICAS DE ACESSOS AO BLOG

TEXTOS MAIS ACESSADOS/Data da Postagem
(posição em 06.05.12)


Em todo o período:
1.º - Aniversário do Clube do Livro - 18.03.12
2.º - Notificação à Diretoria do Clube do Livro - 07.08.11
3.º - Artigo Publicado no Clarim Santanense - 24.07.11
4.º - O Plátano Falante - 14.08.11
5.º - À Memória de Eraldo Freitas da Silva - 24.07.11


No último mês:
1.º - Carta Aberta ao Presidente do Clube do Livro - 15.04.12
2.º - Um Domingo de Sol - 22.04.12
3.º - O Plátano Falante - 14.08.11
4.º - Aniversário do Clube do Livro - 18.03.12
5.º - O Cuidador da Vaca - 18.03.12
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Série de postagens em publicação:  BRASIL 2017

SÓ EM CASO DE PERCISÃO (Conto)


Mês de março. Sol quente. Tempo da colheita de arroz. Quaresma. Tempo em que as cobras estão mais venenosas, segundo a tradição local.

Estamos em um lugar qualquer, num cantão de mundo, distante da chamada “civilização”, onde ainda predominava a “lei do mais forte”. Os descendentes dos primeiros colonizadores, com sobrenomes nobres, dedicam-se à pecuária e alguns, mais recentemente, à monocultura em grandes extensões de terra - primeiro o arroz, depois a (ou o) soja.

Os outros, negros, mulatos, pardos, ou são “agregados” das fazendas, morando no fundo das invernadas, ou peões das grandes lavouras, alguns já morando em corredores. Uns poucos possuem pequenas extensões de terras, onde se dedicam a agricultura de subsistência, não dispensando o complemento de renda como peões, da fazenda ou da lavoura, num disfarçado regime de servidão.

Bem, deixemos as considerações sociológicas e vamos ao fato daquela tarde mormacenta.

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O bolicho de campanha estava movimentado. Homens e rapazotes dividiam-se em grupos. Uns jogando cartas, outros bebendo e contando pataquadas. As mulheres, na capela não muito distante, faziam orações, por si e pelos maridos e filhos. Os homens do lugar também acreditavam nos santos, embora confiassem mais nas armas...

Quase sem que percebam chega um tipo diferente, montando um cavalo bem encilhado, que amarra um pouco distante dos demais e dirige-se à porta do bolicho. As botas fazem ruído forte no pedregulho, em compasso com o tilintar das enormes esporas.

O traje, um misto de gaúcho e caubói. Chapéu de aba grande, com os lados dobrados para cima. Na cintura, pendia um revólver calibre 38, de marca S&W. No coldre de arma, três fileiras de balas. Completando a figura, uma faca coqueiro com lâmina de uns trinta centímetros, atravessada nas costas.

O forasteiro para na porta e fala alto e grosso: “Buenas tardes!!!” Algumas respostas, resmungos e silêncios... O tipo valentão fala para o bolicheiro: “Cachaça para todo mundo, por minha conta. Enche aquele ali (apontando para um copo grande)”.

Servida a pinga, o valentão joga uma “pelega” de cinco contos de réis sobre o balcão, apanha o copo, vai até a porta e despeja um pouquinho, rugindo: “é para o Santo...”. Na sequência, passa o copo para o mais próximo, que bebe e passa para o outro, assim continuando.

O clima é tenso. Já quase não se fala no bolicho. Os carteadores pararam o jogo. Nisto, o copo chega a um negrinho meio pardo, estatura franzina, aparentando vinte e poucos anos. Ele passa para o próximo sem beber. O valentão, atento à sena, berra: “Tu não bebeu, negro!”. O preto responde, num fio de voz: “Eu não bebo, senhor”.

O valentão, com fisionomia de contrariado, resmunga: “Há, tu não bebe...”. Olhou para o dono do bolicho e determinou: “Serve meio copo, naquele ali”, apontando para um copo na prateleira. O bolicheiro serviu o meio copo. O valentão, gritou: “Completa com farinha de mandioca”. Ao que o comerciante atendeu prontamente.

Ato contínuo o valentão, chispando de raiva, tira o revolver do coldre, enfiando o cano no copo e mexendo a farinha com a cachaça. Volta-se para o negro e alcança o copo, agora já com uma colher dentro, dizendo: “Beber tu não bebe, mas comer tu vai comer, porque eu estou pagando e não aceito desfeita”. Continua com o revólver na mão, enquanto o negro começa a encher a boca com colheradas daquela improvisada paçoca.

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Meia-tarde. Calor, mormaço. Silêncio no bolicho. Até dá para ouvir as mulheres, na capela, cantando “Ave Maria! Ave Maria! Ave...”.

Os homens estão calados. Em algumas caras percebe-se que estão se divertindo com a cena; em outras, visivelmente, o medo. Um relógio de parede, daqueles antigos, começa a badalar marcando quatro horas. Alguns olhares desviam-se para a direção do relógio.

Em uma fração de segundos, impossível de perceber como tudo começou, o negro cuspe uma porção da paçoca em direção aos olhos do valentão. No mesmo movimento joga-se ao chão, com seu corpo parecendo um “xis”: uma perna no chão, um braço voltado para baixo e outro para o alto e, finalmente, a segunda perna em direção à cabeça do valentão, desferindo uma patada certeira.

Ninguém percebeu como o rapaz apanhou o revolver e, de imediato, alcançou-o ao comerciante. Ágil, volta ao valentão e aplica-lhe um violento pontapé na região de sua “masculinidade”.

No chão, o valentão encontra-se fora de combate, contorcendo-se e com as mãos “naquele lugar”, o do segundo golpe, olhos esbugalhados e um rosnar que denuncia mais dor do que raiva.

O preto franzino, serenamente, apanha seus poucos pertences e dirige-se à porta para sair do local. Um dos presentes, recuperando-se do estado de letargia coletiva, pergunta: “Ô negro, onde aprendeste isso”.

O rapazote responde, apressado e com voz fraca:
“Isto é capoeira. Aprendi com meu avô, que foi escravo. Mas ele disse para usar só em caso de percisão.”  Pediu licença e desapareceu na curva da estrada. Da capela, ainda vinha o som de “Ave Maria! Ave Maria! Ave...”.

 Nota: 
 Núcleo do texto adaptado de conto de domínio público, transmitido pela tradição oral.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Brasil 2017 - II


Sumário:
Apresentação (Postagem I)
1. Prólogo
2. Origens: Descoberta, Colônia e Monarquia
3. A República em Ciclos
3.1 República Velha
3.2 Governo Getúlio Vargas
3.3 Anos Dourados
3.4 Anos de Chumbo
3.5 Abertura e Democracia
4. Nação e Cidadania
5. O Sexto Ciclo:  Uma encruzilhada no caminho
6. Palavras finais (ou iniciais...)


1.  Prólogo

“O presente é o futuro do passado.”

Esta afirmativa, extraída de algum texto sobre estratégia, tanto pode se aplicar à trajetória e carreira pessoal, ao planejamento estratégico de uma empresa ou, em âmbito mais abrangente, à história de um país.

Um olhar estendido ao passado, numa visão retrospectiva de nossa história, certamente demonstrará que o cenário vivido nos dias atuais é uma conseqüência de fatos, decisões e posturas adotadas em tempos pretéritos.

Se isto for verdadeiro, a decorrência lógica é que os caminhos que nos levam ao futuro estão sendo escolhidos no presente. Em outras palavras, com as opções, decisões, atos e atitudes de hoje, estamos desenhando o cenário do amanhã.

Esta é, em síntese, a idéia que norteia o texto. Sem qualquer pretensão científica, busca estimular uma reflexão sobre o destino de nosso país em uma perspectiva de futuro próximo, tomando como referências os diversos ciclos da história, o cenário contemporâneo e as tendências projetadas.

Ao final, o leitor não encontrará uma conclusão, mas alternativas de destinos, as quais, como na programação de uma viagem, poderão servir de subsídio para a escolha do caminho e dos meios para o percurso.

2. Origens: Descoberta, Colônia e Monarquia

Partindo-se do fato que a história oficial chama de “descoberta”, podemos constatar que os “descobridores” portugueses, na verdade, fizeram uma apropriação de terras que já tinham dono.  Foi assim em todo o continente americano, iniciando com a exploração das riquezas e culminando com o extermínio dos habitantes nativos. A história escrita e ensinada pelo “homem branco” nunca destinou muito espaço para este capítulo.

A divisão de ciclos da história geral mostra que o período da Idade Média encerrou-se próximo do ano 1500, época das grandes navegações e descobertas.  Nesta perspectiva de tempo, o período do Brasil Colônia coincidiria com a chamada Idade Moderna, ciclo de grandes transformações na Europa.

Tal conclusão, entretanto, é falsa. Enquanto no Velho Mundo ocorriam mudanças políticas, econômicas e sociais, os exploradores portugueses transportaram para o Brasil o defasado modelo da Idade Média. Aqui, os feudos foram representados pelas capitanias hereditárias e as relações de poder, do ponto de vista humano, seguiam padrões piores do que aqueles vigentes ao final do medievo na Europa.

Este ciclo de costumes e práticas da Idade Média, no Brasil, perdurou durante todo o período colonial, sendo lícito concluir-se que já iniciamos nossa história com atraso de aproximadamente 300 anos em relação ao chamado mundo civilizado.

A independência do Brasil, já no Século XIX, em muitos aspectos, não mudou este cenário de idade média. Como exemplo, veja-se o regime de escravidão dos negros, que permeou quase todo o período da monarquia. Uma sociedade que pratica o tráfico e a escravidão de seres humanos, certamente ainda não alcançou os ciclos definidos como Idade Moderna e Idade Contemporânea.

Assim chegamos às portas do Século XX. Não bastassem os 300 anos de atraso em relação ao processo civilizatório, representados pelo período colonial, é comum afirmar-se que a Proclamação da República foi a nossa Revolução Francesa com 100 anos de atraso.

Neste aspecto, em que pesem os 100 anos, é temerário afirmar-se que a instauração da república representou, na prática, a adoção do conjunto de ideais propugnados ao som da Marselhesa. Os primeiros dois ciclos da história republicana constituem um alerta aos mais ufanistas. Os que vieram depois, de igual sorte, não significaram grande evolução, especialmente em termos do exercício da cidadania.