Sumário:
Apresentação (Postagem I)
1. Prólogo
2. Origens: Descoberta, Colônia e Monarquia
3.1 República Velha
3.2 Governo Getúlio Vargas
3.3 Anos Dourados
3.4 Anos de Chumbo
3.5 Abertura e Democracia
4. Nação e Cidadania
5. O Sexto Ciclo: Uma encruzilhada no caminho
6. Palavras finais (ou iniciais...)
1.
Prólogo
“O presente é o futuro do passado.”
Esta afirmativa, extraída de algum texto
sobre estratégia, tanto pode se aplicar à trajetória e carreira pessoal, ao
planejamento estratégico de uma empresa ou, em âmbito mais abrangente, à
história de um país.
Um olhar estendido ao passado, numa visão
retrospectiva de nossa história, certamente demonstrará que o cenário vivido
nos dias atuais é uma conseqüência de fatos, decisões e posturas adotadas em
tempos pretéritos.
Se isto for verdadeiro, a decorrência lógica
é que os caminhos que nos levam ao futuro estão sendo escolhidos no presente.
Em outras palavras, com as opções, decisões, atos e atitudes de hoje, estamos
desenhando o cenário do amanhã.
Esta é, em síntese, a idéia que norteia o
texto. Sem qualquer pretensão científica, busca estimular uma reflexão sobre o
destino de nosso país em uma perspectiva de futuro próximo, tomando como
referências os diversos ciclos da história, o cenário contemporâneo e as
tendências projetadas.
Ao final, o leitor não encontrará uma
conclusão, mas alternativas de destinos, as quais, como na programação de uma
viagem, poderão servir de subsídio para a escolha do caminho e dos meios para o
percurso.
2.
Origens: Descoberta, Colônia e Monarquia
Partindo-se do fato que a história oficial
chama de “descoberta”, podemos constatar que os “descobridores” portugueses, na
verdade, fizeram uma apropriação de terras que já tinham dono. Foi assim em todo o continente americano,
iniciando com a exploração das riquezas e culminando com o extermínio dos
habitantes nativos. A história escrita e ensinada pelo “homem branco” nunca
destinou muito espaço para este capítulo.
A divisão de ciclos da história geral mostra
que o período da Idade Média encerrou-se próximo do ano 1500, época das grandes
navegações e descobertas. Nesta
perspectiva de tempo, o período do Brasil Colônia coincidiria com a chamada
Idade Moderna, ciclo de grandes transformações na Europa.
Tal conclusão, entretanto, é falsa. Enquanto
no Velho Mundo ocorriam mudanças políticas, econômicas e sociais, os exploradores
portugueses transportaram para o Brasil o defasado modelo da Idade Média. Aqui,
os feudos foram representados pelas capitanias hereditárias e as relações de
poder, do ponto de vista humano, seguiam padrões piores do que aqueles vigentes
ao final do medievo na Europa.
Este ciclo de costumes e práticas da Idade
Média, no Brasil, perdurou durante todo o período colonial, sendo lícito
concluir-se que já iniciamos nossa história com atraso de aproximadamente 300
anos em relação ao chamado mundo civilizado.
A independência do Brasil, já no Século XIX,
em muitos aspectos, não mudou este cenário de idade média. Como exemplo,
veja-se o regime de escravidão dos negros, que permeou quase todo o período da
monarquia. Uma sociedade que pratica o tráfico e a escravidão de seres humanos,
certamente ainda não alcançou os ciclos definidos como Idade Moderna e Idade
Contemporânea.
Assim chegamos às portas do Século XX. Não
bastassem os 300 anos de atraso em relação ao processo civilizatório,
representados pelo período colonial, é comum afirmar-se que a Proclamação da
República foi a nossa Revolução Francesa com 100 anos de atraso.
Neste aspecto, em que pesem os 100 anos, é temerário
afirmar-se que a instauração da república representou, na prática, a adoção do
conjunto de ideais propugnados ao som da Marselhesa. Os primeiros dois ciclos
da história republicana constituem um alerta aos mais ufanistas. Os que vieram
depois, de igual sorte, não significaram grande evolução, especialmente em
termos do exercício da cidadania.
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