Seguidores

domingo, 11 de dezembro de 2016

O MOMENTO DO BRASIL - III



CARTA DE SEU PAULO AOS CORINTIANOS  

Seu Paulo é um pacato cidadão. Gosta de futebol, já frequentou estádios. Hoje, diante da violência das torcidas e das falcatruas dos cartolas, limita-se a ver os jogos pela TV e comentar o tema com amigos próximos. Evita discussões mais acaloradas, especialmente com amigos mais fanáticos. 

Seu Paulo é "santista". Nem sabe exatamente porque, talvez pela influência do ídolo Pelé, em sua infância, pela cor da camisa, que lembra a paz, ou, talvez mais ainda porque Seu Paulo acredita em santos (pelo menos mais do que nos cartolas...). 

No próximo domingo, dia 13 de março, haverá uma partida entre Corinthians e Palmeiras. As torcidas estão fazendo pesadas provocações pelas redes sociais. Alguns, mais fanáticos, fazem verdadeira apologia à violência. 

Seu Paulo, diante do clima tenso, resolveu fazer sua parte. Escreveu uma "Carta aos Corintianos". Fala do verdadeiro sentido do futebol, diz que o jogo deve ser jogado dentro das 4 linhas do gramado. Publicou sua carta na rede social, alertando pelos riscos de que as provocações e bravatas (mesmo que apenas pela bravata virtual) poderão instigar violência grave. 

Perguntado porque não destinou sua mensagem aos palmeirenses, desconversou. Intimamente, ele sabe que os fanáticos da camisa verde são em menor número, saudosistas de campeonatos distantes no tempo e ainda ressentidos pelo passeio na segunda divisão. 

Seu Paulo tem mais temor do fanatismo dos corintianos, inspirados por lideranças mistificadoras, enquanto as "organizadas" palmeirenses tem porta vozes caricatos, que ainda imaginam a escalação de um Edmundo para resolver a falta de gols e títulos. 


Seu Paulo, o santista, está convicto de que fez sua parte com a CARTA AOS CORINTIANOS.

Nota: postado no facebook em 09.03.16

O MOMENTO DO BRASIL - II


MATURIDADE (OU ESTÔMAGO SENSÍVEL)   


Com uma vida dedicada à defesa de direitos (33 anos de advocacia), com mais de 25 anos de militância política na linha de frente (enfrentando ainda os resquícios dos anos de chumbo), atuando como advogado de sindicatos, tenho uma história de vida que me orgulha. Não ganhei fama, não enriqueci, mas tenho a consciência tranquila de ter cumprido meu papel, num tempo em que muitos se se amedrontaram, se omitiram, se venderam (e ainda se vendem...).

Tive a oportunidade de vivenciar ativamente a transição da história de nosso país, de um regime de ditadura para uma democracia. E tenho convicção de que "a pior das democracias é melhor do que a melhor das ditaduras". 

Sei que vivemos momentos difíceis, onde seguramente temos a pior "safra" da classe política, eleitos pelo poder econômico do "andar de cima", eleitos pela fome do "andar de baixo", eleitos pelo comodismo e pela omissão daqueles que não acreditam na política. 

Tudo isto digo, para registrar que meu silêncio sobre o temário político, neste espaço de rede social, não é omissão. É que, nesta fase da vida, quando penso estar me aproximando da maturidade, prefiro preservar amigos próximos, queridos, que os tenho em todos os campos ideológicos (aos quais respeito, mesmo quando discordamos, e sou grato e feliz por te-los como amigos, pois que temos convergências afetivas). 

Eu, que ainda trago (como dizia o poeta), a poeira dos subúrbios nas botinas, e o clamor dos oprimidos nos ouvidos, me permito não tomar partido nessa "briga de bugios" da rede social, onde se fazem revoluções no sofá da sala, sob a trincheira da telinha do computador. 

A certeza de que vivemos uma democracia, ainda incipiente e que precisa muito ser preservada e aperfeiçoada, é que qualquer um, via teclado e telinha, compartilha suas ideias, a favor ou contra, e continua com suas unhas e seus dedinhos sadios para continuar teclando. 

Por tudo isto, continuarei ausente do debate político neste espaço, mas atento e vigilante em defesa da democracia, contra qualquer extremo, venha de onde vier (apesar de não acreditar muito no poder desses "combatentes" virtuais).


Nota: postado no facebook em 05.03.16


O MOMENTO DO BRASIL - I



HA 25 ANOS EU JÁ ALERTAVA:   
"Ou se espantam os graxains ou eles comem até o galo"

Em 1991 eu escrevi, para participar da 2.ª TORUNGUENGA DA CANÇÃO CRIOULA de Santana da Boa Vista, a composição GRAXAIM DO PLANALTO. Misteriosamente, o interprete não compareceu na hora da apresentação (forças estranhas, como diria Jânio Quadros...). 

Por entender que a composição continua atual, inclusive quanto aos cenários e personagens, compartilho-a com os amigos. Como dizia um velho professor do curso de direito: "lá, como cá, boas fadas há". 


GRAXAIM DO PLANALTO


Descalços, descamisados
do Sul, do Norte e do Centro
abriram o galinheiro
e botaram o graxaim dentro
a vida anda custosa
sobreviver é uma briga
o graxaim faz banquete
e o povo ronca a barriga.

(Refrão)
Graxaim pensa que é homem
porque tem a coisa roxa
e o povo de tanta fome
já anda com a calça frouxa

Os graxains do planalto
que tem o rabo comprido
o focinho empinado
e o pelo bem collorido
comeram nosso salário
roubaram a previdência
travaram a produção
a cultura e a ciência.

A revolta está nas ruas
da nação arrependida
compraram gato por lebre
na mentira collorida
que o povo siga o exemplo
pra não levar mais um pealo
ou se espantam os graxains
ou eles comem até o galo.


Nota: postado no facebook em 07.02.16

DA MINHA ALDEIA - III

ELEIÇÕES MUNICIPAIS NA ALDEIA 
Criador X Criatura

Embora esteja fora do cenário, estive pensando nas próximas eleições municipais em minha aldeia, Santana da Boa Vista.

Tenho comigo que é da índole de boa parte (muito provavelmente da maioria) dos conterrâneos residentes na terrinha um grande conservadorismo, no sentido de reagir a propostas de mudança no jeito de fazer as coisas, mesmo que "as coisas" não andem lá muito bem...

Neste sentido, novos nomes para candidatos ao cargo de Prefeito, nas próximas eleições, talvez não seja a melhor proposta. Já que pensar em futuro é coisa que não agrada muito. Então, façamos um raciocínio pensando no "daqui pra traz", se este fosse o critério de escolha dos candidatos a Prefeito. 

A atual Prefeita, que completa o segundo mandato (8 anos), não pode concorrer à próxima eleição. Os dois antecessores (cada um com 2 mandatos, totalizando 8 anos), um por problemas de saúde, outro por problemas com a lei, também estão impedidos de concorrer. 

Voltando no tempo, temos dois ex-prefeitos falecidos. Aí, chegamos nos sobreviventes, coincidentemente os dois primeiros prefeitos eleitos do município, os quais denomino, por razões históricas, de "criador" e "criatura". 

O "criador", de 1968, quando foi eleito para o primeiro mandato, até 1992, quando ele próprio perdeu a eleição, dominou o cenário político, se elegendo ou dizendo quem se elegeria. Cumpriu 2 mandatos de prefeito (10 anos), um de vice (6 anos), e indicou outros 2 eleitos. 

A "criatura" cumpriu um mandato, candidato inventado pelo "criador" e nem sequer elegeu seu sucessor. Depois disto, virou uma espécie de mito para seus seguidores, até a saída de cena e o ostracismo político. 

Pois bem, esta eleição ganharia um colorido especial, com a candidatura do "criador", que reacenderia a esperança de seu partido, fora do poder há 24 anos. Já a "criatura", se voltasse à cena e retomasse a "aura" de mito, talvez alcançasse alguma esperança ao partido que depois de ganhar 3 eleições para prefeito (sem a participação do mito) se auto destruiu, virando caudatário dos últimos pleitos. 

Pensem nisto, meus conterrâneos. Uma proposta conservadora e saudosista: Em 2016 o duelo CRIADOR X CRIATURA. 

Assino embaixo (os incomodados podem ranger os dentes, pois estou fora do alcance).


Nota: postado no facebook em 08.07.16


DA MINHA ALDEIA - II


VISITA À MINHA ALDEIA  

No último final de semana estive em visita à minha aldeia natal, Santana da Boa Vista. Visitas a familiares e amigos e, no retorno, assuntos profissionais em Caçapava. A partir de agora, a única atividade por lá, e também a melhor, a proximidade com meus afetos.

Se é cidadão de um lugar quando se nasce lá ou quando se opta por residir lá. Há, contudo, um requisito legal para o exercício da cidadania, a condição de eleitor local. Já não atendendo mais a esse requisito, minha cidadania é meramente afetiva. Tenho convicção de que meu voto, assim como minhas ideias, não farão falta a ninguém.

Agora, como simples turista, poderei aproveitar melhor a paisagem e, inclusive, coisas exóticas, como uma creche nunca acabada, plantada no meio do campo de futebol da cidade. Talvez também possa fazer algum estudo sobre a apropriação de áreas de terras da municipalidade pela antiga terra mãe. Assim como os discos voadores que sobrevoam a Pedra da Cruz, nas Minas do Camaquã, essas coisas sui generis só acontecem por lá.

De resto, na "Capital da Simpatia", tá tranquilo, tá favorável...



Nota: postado no facebook em 16.03.16

DA MINHA ALDEIA - I

DESENVOLVIMENTO E ATITUDES    (24.02.16)
Carlos Barbosa - um exemplo a ser seguido

Ontem acompanhei com vivo e especial interesse uma reportagem sobre iniciativa de moradores da cidade de Carlos Barbosa, um exemplo para todos nós, especialmente de alguns municípios da Metade Sul. 
Diante das más condições de conservação da estrada de acesso entre São Vendelino e Carlos Barbosa, incluindo a falta de poda da vegetação junto aos acostamentos, estão organizados em mutirão fazendo o trabalho com a devida autorização do DAER e apoio do Poder Público local, de empresas e da comunidade. 

Quanta diferença com meu município, onde a comunidade (ao menos expressiva maioria) coloca-se numa condição de dependência total do poder público. Os administradores locais, por seu turno, não estimulam iniciativas da comunidade (ao contrário, convivi com boicotes por não ter o "amém" dos donos do poder). E assim, uns e outros vão exercendo seus papéis de "dominadores" e "dominados". Quem não dançar a música é convidado a sair do baile. 

Estes cenários e atitudes fazem toda a diferença na hora de medir os indicadores de desenvolvimento. A propósito, por não me adequar ao ritmo das danças locais, fui "desconvidado" do baile (sabem como é: quem não dança, dança...).


Nota: Postado no facebook em 24.02.16

UMA IMAGEM DO ANO (2015)

As repetidas imagens do desastre ecológico em Minas Gerais, mais do que a tragédia ambiental, refletem a própria imagem do país neste momento: um mar de lama. 
Não obstante aos nossos muitos valores e qualidades, precisamos sim fazer uma profunda auto avaliação como sociedade. Auto avaliações costumam ser doloridas. Talvez venhamos a descobrir algumas características que não gostaríamos de possuir. Talvez, também, seja tempo de buscarmos a correção dessa imagem que não gostaríamos de ter...

Pessoalmente, penso que dentre as características negativas da sociedade brasileira encontram-se as seguintes:
- Uma sociedade (pseudo) aristocrática;
- Por derivação, uma sociedade deslumbrada;
- Endemicamente corrupta; 
- Tristemente vulgar.

Aos poucos que lerem estas "mal traçadas" sugiro refletirem sobre cada uma das características apontadas. Opiniões contrárias serão bem vindas, pois não integro o grupo dos "donos da verdade". 

Que o alvorecer de um novo ano ajude a despertar a consciência da cidadania.


Nota: Postado no facebook em 30.12.15