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domingo, 22 de abril de 2012

BRASIL 2017 - I


Apresentação:

Nos anos de 2007 e 2008, último período em que integrei a Diretoria do Clube do Livro Coriolano Castro, produzi e apresentei o programa do Clube do Livro na Rádio Santana, sob o título de “Comunidade & Cidadania”. Compartilhando o espaço com outros integrantes da diretoria, sempre procuramos divulgar informações de interesse da comunidade e, também, atender aos fins culturais da instituição, abordando temas voltados à disseminação do conhecimento.

Dentro do espaço cultural, para o qual reservava um dos 3 ou 4 blocos do programa, produzi e apresentei duas séries. A primeira, no ano de 2007, intitulada “Retrospectivas de Nossa História”, fazendo uma abordagem iniciada na Idade Clássica, passando pela Idade Média, enfatizando aspectos da América Pré-Colombiana e a situação de seus habitantes, finalizando com os ciclos do Brasil Colônia, Monarquia e República, ampliando as matérias sobre cada ciclo da república.

No ano de 2008, já com o Clarim Santanense circulando novamente, produzi uma série de artigos publicados neste jornal, também apresentados na Rádio Santana, em alusão aos 40 anos das eleições municipais de Santana da Boa Vista, no ano em que se realizava a 10.ª eleição. Exatamente neste ano em que se realizam novamente eleições municipais (nossa 11.ª), vou reproduzir aquela série de artigos neste espaço, após a publicação do texto “Brasil 2017”.

A redação deste trabalho, Brasil 2017, tem sua origem naquela série produzida para a Rádio Santana em 2007. Ao pesquisar os diferentes períodos da história da república, deparei-me com uma sequencia de tempos que apontavam para a conclusão do ciclo então vivido, o da redemocratização do país, iniciado em 1985 com a eleição indireta do primeiro presidente civil, conforme demonstrado a seguir:

1.º Ciclo - República Velha - 1889/1930 (41 anos);
2.º Ciclo - Governo Getúlio Vargas - 1930/1945 (15 anos);
3.º Ciclo - A Redemocratização - 1946/1964 (18 anos);
4.º Ciclo - Governos Militares - 1964/1985 (21 anos);
5.º Ciclo - Período Contemporâneo - 1985... (até 2007, 22 anos).

Analisando estes dados, cheguei à conclusão de que o último ciclo, da redemocratização e consolidação da democracia no país, estava chegando a seu final, em decorrência dos resultados alcançados e pelo próprio decurso do tempo, considerado com a duração dos ciclos anteriores. Com o advento das próximas eleições gerais no ano de 2010 e o final do governo vigente, chegaríamos ao final do ciclo.

À época, entre os anos de 2007 e 2008, tive a oportunidade de abordar o tema em alguns cursos e palestras, sustentando a tese de que a partir de 2011 estaríamos iniciando o 6.º Ciclo da história republicana do país, o que significaria uma encruzilhada sobre os rumos a seguir. Hoje, após a crise econômica mundial de 2009 e a eleição da primeira mulher para a presidência do país, em 2010, não tenho dúvidas de que iniciamos um novo ciclo histórico.

É certo que a transição entre ciclos da história não é claramente percebida em seu início. Somente o transcurso do tempo, com a devida análise de causas e consequências, permite o registro de sua ocorrência.  Nesta conformidade, é possível que transcorram, no mínimo, uns 5 ou 6 anos para que tenhamos a noção clara do encerramento do ciclo anterior. Daí o título “Brasil 2017”, numa perspectiva de futuro onde pretendo concluir com alguns questionamentos sobre rumos a serem construídos a partir do presente.

Por fim, cumpre alertar aos leitores de que, não tendo o autor uma formação em história ou ciência política, o presente trabalho não vem revestido de rigor científico, podendo apresentar falhas ou equívocos de interpretação. Contudo, não tenho a pretensão de ministrar lições de história. Como interessado pelo tema, notadamente no que diz respeito ao exercício da cidadania em nosso país, pretendo compartilhar ideias, complementando-as com a colaboração de tantos quantos me honrarem com a sua participação neste espaço.

A seguir, a publicação de BRASIL 2017 (em módulos semanais).
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 BRASIL 2017

1. Prólogo
2. Origens: Descoberta, Colônia e Monarquia
3. A República em Ciclos
3.1 República Velha
3.2 Governo Getúlio Vargas
3.3 Anos Dourados
3.4 Anos de Chumbo
3.5 Abertura e Democracia
4. Nação e Cidadania
5. O Sexto Ciclo:  Uma encruzilhada no caminho
6. Palavras finais (ou iniciais...)

UM DOMINGO DE SOL


Porto Alegre. Outono, mês de abril. Um domingo de sol. Nada de excepcional, além da inspiração para escrever uma crônica de domingo, sem pretensões literárias, simples registro de fatos e impressões do cotidiano.

Uma manhã rotineira, acordar cedo, cevar o mate, colocar um CD a rodar (esqueci que CDs não rodam, mas deixemos assim) e chimarrear sem pressa. Nenhum programa prévio, salvo o convívio em família, uma caminhada no parque, “secar” o Internacional (o Grêmio jogou ontem, ufa!!!) e, inevitável, dar uma passada na agenda dos compromissos de segunda-feira.

Ainda pela manhã, lembrei que o escritor Juremir Machado estaria autografando seu livro “Getúlio”, no Brique da Redenção e, segundo escreveu em sua coluna no Correio do Povo de sábado, buscando um contato direto com os leitores. Já tenho o livro, mas decidi ir ao evento apanhar um exemplar para presentear um aniversariante dos próximos dias. Com a mateira a tiracolo, fui ao Parque da Redenção para o encontro com o escritor.

A fila de autógrafos, o papo com outros leitores diários do jornalista, troca de referências sobre sua obra e, finalmente, meu contato com o autor de alguns dos livros de minha estante. Cumprimentos, papo rápido e saio todo contente com o livro autografado. Fico a pensar no que diria ao Juremir se tivesse mais tempo. Me identifico muito  com os textos diários deste jornalista sem papas na língua, que se autodenomina “escritor maldito”.

Temos afinidades. Ambos vivemos a infância nos campos de Santana, ele no Distrito de Palomas, em Santana do Livramento, eu no Rincão dos Dutras, em Santana da Boa Vista; ele relata suas andanças em tropeadas com o pai, na fronteira, eu  fiz tropeadas com meu pai nos campos de Santana, Piratini e Pinheiro Machado. Ambos habitamos o Bairro Bom Fim, na capital. Somos da mesma geração, eu ligeiramente mais velho.

Perdoem a falta de modéstia na comparação, mas acho que somos ambos malditos, ele um maldito notório, eu um maldito anônimo. Enquanto o reconhecido jornalista chega diariamente a milhares de leitores e ouvintes, com sua coluna no Correio do Povo e espaço na Rádio Guaíba, eu festejo algumas dezenas de acessos a meu blog em uma semana e estou censurado na Rádio Santana (guardadas as proporções, neste aspecto acho que sou mais maldito).

Continuo a caminhada pelo espaço dominical do Brique da Redenção. Gente de todas as idades, pais com bebês em carrinhos, casais de namorados, idosos, gente junto e gente avulsa, verdadeira fauna humana. Nos gestos e nos olhares um ponto em comum, a descontração e a serenidade. É um espaço de convivência pacífica onde até as rivalidades político/eleitorais são respeitadas, cada um em seu espaço, cada um com sua bandeira, lugar para todos.

Outro aspecto singular é a presença dos artistas de rua, em suas diversas formas de manifestação. Detenho-me a ouvir um cantor, tocando violão e desfilando seu repertório de MPB. O velho artista, um preto de cabelo grisalho, tem aquela voz forte e ao mesmo tempo suave dos irmãos afro. Conversando com sua esposa, que comercializa seus CDs, fiquei sabendo que o artista foi cantor da noite. Comprei um CD, cumprimentei o cantor e saí deliciado com a harmonia do violão e voz.

Enfim, o relógio biológico informa que é hora de voltar para casa. Retorno sem pressa, com o mate lavado, um livro e um CD em baixo do braço. Já passa do meio-dia, hora do almoço.  Alimento para o corpo, porque o espírito já está alimentado pelo convívio com o ambiente saudável, pelo encontro com meu “escritor maldito preferido”, pelas cores e sons do parque, pela sinfonia da vida.

domingo, 15 de abril de 2012

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DO CLUBE DO LIVRO

1 - ANTECEDENTES

No último dia 18 de março postei, neste blog, texto sob o título ANIVERSÁRIO DO CLUBE DO LIVRO, reportando-me à NOTIFICAÇÃO À DIRETORIA DO CLUBE DO LIVRO  (postagem com data de 07 de agosto de 2011). Na sequencia, ainda em 18 de março, publiquei O CUIDADOR DA VACA (Pequena Fábula) e, em 28 de março, RETORNO E AGRADECIMENTO AOS LEITORES.

Todos os textos tratam da situação do Clube do Livro Coriolano Castro, instituição da qual sou sócio fundador e ex-presidente, onde aponto irregularidades administrativas e denuncio o desvio de finalidades desta associação cultural, como a suspeita de uso para promoção pessoal ou com fins politico/eleitorais, como já ocorreu em passado recente.

Também aponto, de forma detalhada na NOTIFICAÇÃO À DIRETORIA DO CLUBE DO LIVRO (documento enviado em data de 14.04.2010 à então Presidente Eloisa Melo de Oliveira e ao Diretor de Finanças e Patrimônio Derli Oliveira de Melo),  a manutenção de pessoal empregado de forma irregular e o passivo trabalhista e previdenciário daí decorrente.

Especificamente na publicação ANIVERSÁRIO DO CLUBE DO LIVRO, faço alusão à deficiência nas prestações de contas e o inconveniente e perigoso vínculo entre os cargos de Presidente do Clube do Livro, do atual titular, e sua condição de candidato a candidato às eleições municipais deste ano, ao que se comenta em possível coligação com a atual Prefeita Municipal.

Tal situação se torna mais grave quando se tem conhecimento do repasse de recursos financeiros públicos ao Clube do Livro, pela Prefeitura Municipal, em contrapartida pelos serviços de rádio difusão, e que a aplicação de tais recursos poderão reverter em promoção pessoal do potencial companheiro de chapa da Prefeita nas próximas eleições, incluindo nisto além da exposição pública o uso da infraestrutura da instituição.

2 - A REAÇÃO

Além de outros fatos que provavelmente eu não tenha conhecimento, em face da distância, a reação do Presidente do Clube do Livro veio a público por meio de sua manifestação no Programa de Rádio da instituição, levado ao ar no último sábado, dia 14 de abril, quando o Presidente divulgou a convocação de Assembleia Geral de Prestação de Contas e estendeu-se em comentários sobre críticas que vem recebendo, embora sem citar nomes.

Não cabe aqui reproduzir a íntegra da manifestação do Presidente, mas é interessante registrar alguns trechos que dão notícia do tom usado. Em dado momento, ao falar sobre sua gestão e a prestação de contas do Clube do Livro, afirmou o Sr. Derli: “(...) desafiar quem tem dúvidas...”. Logo a seguir, disse que “uns e outros tem tentado distorcer a realidade” e, na mesma sequencia afirmou: “são um ou dois que serão convocados para comparecer à assembleia geral”.

Desnecessário tecer maiores comentários sobre o tom utilizado, que revela estar o Senhor Presidente muito contrariado com os questionamentos feitos à sua gestão, questionamentos que não são apenas meus, mas até de integrante de sua própria Diretoria. Esta contrariedade transforma-se em provocação quando utiliza a expressão “desafiar”.

Talvez o Senhor Presidente, do alto do poder a que se alçou, com apoio dos poderes maiores no âmbito do município, entenda que não há legitimidade deste sócio fundador e ex-presidente para questioná-lo, questionamento este que só faço de público após dois anos de notificação que nunca foi respondida (tenho em arquivo as cópias dos ARs comprovando os recebimentos da notificação extra-judicial pelos dois dirigentes do Clube do Livro já anteriormente referidos).

Neste sentido, venho dirigir-me diretamente ao Presidente, por meio desta Carta Aberta, ratificando meus alertas e apontamentos e respondendo aos termos de sua manifestação no programa de rádio do último sábado.

3 - CARTA ABERTA AO PRESIDENTE

Senhor Presidente,

Inicialmente, cumpre afirmar de público que minha tomada de posição neste caso não tem nenhum caráter de ordem pessoal, embora necessário dizer-lhe, também publicamente, que já não deposito em Vossa Senhoria a mesma confiança que um dia depositei.

Contudo, Senhor Presidente, entendo estar legitimado, na condição de associado plenamente em dia com minhas obrigações sociais, a questionar os atos dos gestores da instituição da qual fui um dos fundadores, sem que isto necessariamente se constitua em agravo de ordem pessoal, salvo se os atuais gestores entendam que seus atos estão imunes à quaisquer questionamentos.

Neste sentido, estranhei seu tom ao utilizar a expressão “desafiar”. Ela não é necessária e, perdoe a franqueza, não fica bem no moço educado e bem articulado que eu conheci há muitos anos e com quem travei muitos agradáveis e produtivos diálogos.

Aqui faço um parêntese para lembrar-lhe da frase popular: “dize-me com quem andas...”.

Essa expressão “eu desafio...”, esse tom que rotulo de provocativo, foram muito utilizados recentemente por uma figura conhecidíssima na política santanense, uma espécie de “Hugo Chaves caboclo”, grandalhão, sempre pronto para uma provocação e desafio, hoje fora de cena. Alerto-o, afetuosamente, não queira “copiar os modos” porque não levaram ao um final feliz.

Mas, voltando ao seu “desafio”, informo-lhe de que eu não vou comparecer à sua Assembleia Geral. Não por medo, pois enfrentei os remanescentes da ditadura militar, aí mesmo, na década de 80, quando ainda tinham todo o poder e a força, e ajudei a sepultar o cadáver já decomposto do malfadado regime de exceção.

Não vou dar número, nem na plateia e nem no picadeiro, ao circo em construção. Não vou me expor ao “rolo compressor” montado por associados de última hora, na maioria “chapa branca” ou vinculados politicamente ao Paço Municipal, angariados apenas para elegê-lo, com todo o respeito aos que não tem esta condição, lamentavelmente uma minoria sem poder real. Tenho legitimidade e vou usá-la em outras instâncias.

Logo, poupe o selo da “convocação”, até porque não lhe reconheço legitimidade para convocar-me seja lá para o que for. Repito, não é pessoal, é uma questão institucional. Vem da extinção ilegal do Conselho Deliberativo do Clube do Livro e, na sequencia, da já referida “montagem” do quadro social para elegê-lo. Em síntese, não reconheço legitimidade em sua eleição. Mas o senhor está na presidência e, nesta condição, é a quem devo questionar.

Quanto à sua afirmativa, no programa de rádio, de que “uns e outros tem tentado distorcer a realidade”, creio que numa alusão aos meus apontamentos, quero apresentar-lhe uma sugestão, a qual certamente permitirá colocar tudo às claras, desmascarando estes “um ou dois...que tentam distorcer a realidade.

Eu apontei, na notificação enviada em 14.04.2010, ainda na condição de integrante do Conselho Deliberativo do Clube do Livro (publicada neste blog em 07.08.2011), dentre outras irregularidades, a manutenção de pessoal trabalhando sem a regularização do vínculo de emprego, gerando um passivo trabalhista e previdenciário.  

Hoje, ao que se sabe, tem 4 (quatro) empregados regularizados e uns 6 ou 7 (seis ou sete), com o vínculo comprovado, trabalhando e recebendo de forma irregular (sejam empregados ou não, o serviço remunerado tem incidência da contribuição previdenciária).

Se a irregularidade apontada for verdadeira, o Clube do Livro está com acumulado débito previdenciário que, uma vez autuado pela fiscalização da Previdência Social, terá que ser pago ou, no mínimo, parcelado, sob pena de a instituição não poder mais receber qualquer repasse de recursos do poder público (como as transferências mensais da Prefeitura e da Câmara de Vereadores para custeio dos respectivos programas de rádio).

Mas Vossa Senhoria afirma que estão tentando distorcer a realidade. Então, para esclarecimento da situação, façamos o seguinte:

1 - Reúna a documentação de caixa do Clube do Livro/Rádio Comunitária dos últimos 5 (cinco) anos, constituída pelos livros caixa e pelos documentos correspondente aos pagamentos de pessoal, a qualquer título.

2 - Assegure-se que esta documentação seja preservada, garantindo-se também a sua autenticidade. Qualquer dúvida a este respeito ou a dispersão de documentos deste período, nas atuais circunstâncias, seria muito negativa, pois não permitiria esclarecer os questionamentos feitos, lançando ainda maiores suspeitas.

3 - Chame, de modo espontâneo e formal, a fiscalização do Ministério do Trabalho e da Previdência Social para fiscalizar o Clube do Livro/Rádio Santana (do resultado desta auditoria teremos o atestado de isenção de quaisquer débitos ou as autuações decorrentes de eventuais infrações).

4 - Se por ventura forem encontradas irregularidades e/ou débitos, por eventual desconhecimento dos gestores, adote as providências corretivas pertinentes, salvaguardando a instituição e demonstrando sua boa-fé (lembre-se de que além de vir alertando informalmente sobre a situação, desde o ano de 2007, em 2010 eu formalizei notificação com alerta).

 5 - Se, adotados estes procedimentos, com o exercício de fiscalização conforme sugerido, não forem encontradas irregularidades, comprometo-me desde já em formalizar público pedido de desculpas pelas suspeitas levantadas.

6 - Por outro lado, a desconsideração ou a negativa em seguir esta sugestão permitirá que continuem as suspeitas, mesmo que arguidas apenas por “um ou dois”, desde que estes tenham legitimidade e conhecimento para manifestar-se sobre o assunto.

Até aqui, Senhor Presidente, tratei apenas da questão envolvendo possíveis irregularidades de ordem trabalhista e previdenciária, que uma vez autuadas poderão comprometer nossa instituição, inclusive, como já dito, vedando o recebimento de recursos públicos.

Já quanto à suspeita de promoção pessoal, com uso indevido da estrutura do Clube do Livro, com possíveis fins político/eleitorais, podemos voltar a este assunto com mais tempo, em outro dia. Contudo, especialmente considerando o grupo que atualmente está no comando da administração municipal, ao qual parece que o Senhor está aliado com vistas às próximas eleições, calha contar-lhe, de forma breve, o fato que segue.

No ano 2000, o mesmo grupo político estava na administração do município. A rádio comunitária era recente e havia todo um deslumbramento com o veículo de comunicação. Ao mesmo tempo, o então prefeito municipal não media consequências de seus atos de promoção pessoal. Numa destas, ocupou a rádio, juntamente com um séquito de correligionários, fazendo propagando partidária/eleitoral fora do tempo e das regras legais.

Constituído como advogado para tratar do assunto, ofereci denúncia cujo processo  culminou com a condenação do então prefeito a uma multa de 20.000 UFIRs, hoje algo próximo de uns R$ 45.000,00.  Ao que eu soube, dita multa acabou sendo paga às vésperas das eleições do ano 2008, sob pena de inviabilizar o registro da candidatura do ex-prefeito e candidato àquelas eleições.

Conto-lhe esta história para auxiliá-lo, como um alerta em tempo adequado, pois consideradas as atuais circunstâncias é certo que o Ministério Público Eleitoral deverá estar vigilante, especialmente diante do fato de que a Prefeitura Municipal repassa recursos para uma instituição que tem como presidente um potencial candidato em chapa da situação.

Por fim, coloco-me à disposição para levar aos ouvintes da Rádio Santana a minha posição sobre os fatos alvo da notificação extra-judicial e publicações posteriores, por meio de entrevista ou em debate moderado por mediador escolhido de comum acordo, assegurando assim a democratização da informação.  

Respeitosas Saudações.

Moacir Donato Rosa de Oliveira
Sócio fundador e ex-presidente do
Clube do Livro Coriolano Castro
Advogado - OAB-RS 16.139 

Notificações, citações ou intimações poderão ser enviadas 
para meu endereço profissional, a seguir:
Rua Gen. Cypriano Ferreira, 443 - Centro
 Porto Alegre - RS (CEP 90010-330)
Contatos pelo e-mail: moacirdonato@gmail.com 

quarta-feira, 28 de março de 2012

RETORNO E AGRADECIMENTO AOS LEITORES

Após 10 dias das ultimas postagens, recebemos 226 acessos ao ECOS DO CLARIM. A postagem mais acessada foi ANIVERSÁRIO DO CLUBE DO LIVRO, com mais de 50 acessos. Realmente, o toque do CLARIM está fazendo ECO. 

Inicialmente, cumpre agradecer aos leitores e, de modo especial, àqueles que indicaram a outros a leitura deste blog. Ao mesmo tempo, tomo a liberdade de sugerir aos que leram apenas as últimas postagens que façam um passeio pelos textos anteriores.

Recomendo a leitura da NOTIFICAÇÃO À DIRETORIA DO CLUBE DO LIVRO, postada em agosto/2011. Embora seja um texto longo, traz um histórico completo da instituição e de seus problemas atuais, permitindo uma melhor compreensão do tema.

Nos próximos dias, darei continuidade às postagens sobre o assunto, por meio da Série FRAUDES & CALOTES, onde serão postados os seguintes títulos:
- O Calote da Colenda (Excelências também dão calotes...)
- Fraude no Registro do Estatuto
- O Conselho Cassado
- Uma Eleição Ilegítima

Apesar da relevância dos temas envolvendo o Clube do Livro, também abordamos outros assuntos neste espaço, como o leitor poderá constatar ao fazer um passeio pelas postagens anteriores. 


Contrariamente ao que afirmam alguns "donos da verdade", não falo só de política. A prova disto está nos inúmeros textos publicados em mais de 25 anos, alguns deles compilados em meu livro "QUARENTA", o qual creio que esteja disponível na biblioteca do Clube do Livro (se não foi também censurado). 

Diversificando a forma de expressão, tanto escrita como falada, também fiz algumas incursões no campo da arte participando de diversos festivais em nossa Santana da Boa Vista, tendo conquistado em duas oportunidades o Prêmio Composição Mais Popular, por indicação do público, com os trabalhos:
- Lamentos de um Rio (7.º Festival Chamamento da Arte Nativa)
- Preta Velha  Benzedeira (4.º Festival Encantadas da Canção) 

Contrariando ao que afirmam certos "iluminados", não falo só de política. Mas quando trato deste tema o faço com conhecimento de causa, tendo dedicado bom tempo ao estudo da história e de ciências afins. 


Em meu conceito, falar de política não se restringe a fazer discursos populistas e demagógicos, ou simplesmente atacar adversários. Exige conhecimento do passado, consciência do presente e visão do futuro. 

Neste aspecto é compreensível que alguns "pseudo-gênios" locais tenham dificuldade para entender uma linguagem que vai um pouco além de seu alcance. E aí, a solução é tentar calar a voz ou apagar a imagem de quem, talvez em sua inconfessável inveja, lhes faça sombra. 

Da para entender porque fui "silenciado" na rádio local, porque foi boicotada a continuidade da circulação do Clarim Santanense e, agora, propõem reeditá-lo com outro nome. Acaso seria por  rancor, inveja ou medo de "algum nome" vinculado ao velho Clarim Santanense?

Enfim, apesar da censura e do boicote, para contrariedade dos censores e para sofrimento dos invejosos, minha palavra continua chegando aos meus conterrâneos. São os ECOS DO CLARIM. 

Moacir Donato

domingo, 18 de março de 2012

ANIVERSÁRIO DO CLUBE DO LIVRO

Nesta data, 18 de março de 2012, comemora-se o 27.º aniversário de fundação do Clube do Livro Coriolano Castro. Naquele distante 18 de março de 1985, eramos 7 sócios fundadores. Buscavamos agregar pessoas interessadas por assuntos vinculados à cultura, especialmente por livros e literatura. Daí surge a ideia de formar uma biblioteca, com doações e empréstimos de livros pelos próprios associados. 

Em 11de junho do mesmo ano o Estatuto Social foi aprovado e eleita a primeira diretoria, tendo na presidência a Professora Clotildes Borges. Já no mês de julho, circulava a primeira edição do órgão informativo do Clube do Livro, o Clarim Santanense. Tem início uma história de idealismo e de idealistas, que viria ultrapassar um quarto de século, alternando avanços e tropeços, que passarei a relatar em postagens neste blog.

No ano de 2009, quando eu integrava o Conselho Deliberativo do Clube do Livro, propus a criação de um grupo de trabalho para organizar as festividades do 25.º aniversário da instituição, que seria comemorada em 18 de março de 2010. Devido a uma série de fatos que relato na Notificação à Diretoria do Clube do Livro (postagem neste blog em data de 07.08.2011), a proposta não mereceu qualquer atenção ou acolhida e a importante data passou totalmente obscura.

Surpreende-me que neste ano, o 27.º aniversário tenha merecido destacadas comemorações, embora a programação, pelo que tomei conhecimento à distância, tenha sido pouco alusiva aos fins culturais da instituição. Foram shows, "fest's", boates, uma benção em praça pública coincidindo com o horário da missa dominical na igreja, ao que eu soube, forçando o padre a fechar a porta para poder rezar sua missa sem o "ruído" do evento concorrente...  

Mesmo na condição de sócio fundador, ex-presidente da instituição e colaborador em diversas atividades ao longo dos anos, não fui merecedor de um convite para os cerimoniais do 27.º aniversário. Tomei conhecimento à distância, assim como venho tomando conhecimento da grave situação enfrentada pela instituição que fundamos com idealismo para ser dedicada a fins culturais e não para servir, como hoje, de trampolim político para dirigentes descomprometidos com os verdadeiros fins estatutários. 

Neste sentido, sugiro a leitura da Notificação à Diretoria, já anteriormente referida, cuja postagem concluí nesta data, acrescendo notas ao final. Os fatos registrados naquela notificação, datada de 14.04.2010 se agravaram de tal forma que, hoje, ao invés de parabenizar os atuais dirigentes pelo aniversário do Clube do Livro, sirvo-me desta data para lançar uma denúncia e alerta, que ampliarei em postagens futuras. 

A atual gestão de diretoria, sob a presidência do Sr. Derli Oliveira de Melo, que acumula também a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e de um partido político que fundou recentemente no município (fala-se que para concorrer em chapa majoritária nas eleições municipais), prima pela total falta de transparência em seus atos.

Neste cenário, o Conselho Fiscal encontra-se inativo desde o último trimestre do ano de 2011, por licença ou demissão de seus integrantes; as decisões da diretoria não constam de atas registradas em livro próprio; os fartos recursos financeiros angariados estão custeando até a aquisição de um veículo para uso do multi-presidente em um período pouco recomendável, especialmente considerando o repasse de recursos públicos para a instituição e a deficiência nas prestações de contas. 

Para maior clareza, a fim de melhor entendimento se restar alguma dúvida: o Clube do Livro recebe repasse de recursos para prestação de serviços de rádio para a Prefeitura Municipal e para a Câmara Municipal; os registros e prestações de contas, na ausência de atuação efetiva de um Conselho Fiscal, certamente são deficientes; o Presidente candidato a candidato (fato público e notório) adquire, em pleno ano eleitoral, um veículo para uso do Clube do Livro/Rádio, sob discutível autorização da Diretoria da instituição.

Na mesma esteira de fatos, os festejos de aniversário, dadas as circunstâncias, também podem ser colocados na vala da suspeita de promoção pessoal. E o repasse de recursos públicos, como fica? E a fiscalização da aplicação de tais recursos, quem faz? E a manutenção de empregados com vínculos irregulares, com infração à legislação trabalhista e sonegação fiscal (INSS), apesar do alerta deste associado em notificação há quase 2 anos? 

Realmente, parece-me que não temos qualquer motivo para comemorações. Contudo, a data apresenta-se oportuna para uma reflexão e para a denúncia. Com esta intenção, estou postando este comentário para diversos endereços de santanenses ou de pessoas vinculadas a Santana. 

Quem tiver interesse pelo assunto, multiplique esta mensagem. Quem não desejar mais receber as postagens, favor comunicar pelo e-mail divulgado para contato. 

Finalmente, aos atuais dirigentes do Clube do Livro Coriolano Castro um recado: após 2 anos da Notificação desconsiderada, após a extinção ilegal do Conselho Deliberativo, após a eleição arranjada com apoios e interesses alheios aos fins do Clube do Livro, estou começando a luta pela salvação da instituição da qual fui fundador. 

Espero que meu grito ajude a despertar consciências adormecidas. Com o mesmo vigor juvenil de 1985 estou colocando em forma o meu exército de um homem só, tendo como arma apenas a palavra. 

Moacir Donato Rosa de Oliveira
Sócio fundador do Clube do Livro
Ex-Presidente da Diretoria Executiva
Ex-Diretor do Clarim Santanense
Ex-Presidente do Conselho Deliberativo
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Apêndice - Índice de matérias postadas em 2011
24.07.2011 - Apresentação
24.07.2011 - Artigo Publicado no Clarim Santanense Dez/2008
24.07.2011 - À Memória de Eraldo Freitas da Silva
31.07.2011 - Preta Velha Benzedeira - Uma homenagem à Tia   Vergínia
04.08.2011 - Censura Dirigida
07.08.2011 (início postagem) - Notificação à Diretoria do Clube do Livro Coriolano Castro
14.08.2011 - O Plátano Falante
28.08.2011 - Semana em Revista
11.09.2011 - 11 de Setembro
18.09.2011 - Semana Farroupilha
27.10.2011 - Próximas Postagens





O CUIDADOR DA VACA (Pequena Fábula)

                                                     Moacir Donato


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  Era uma vez um grupo de amigos que decidiu criar uma pequena bezerrinha. E o animalzinho, bem tratado, foi crescendo, até se tornar uma linda vaca. Os amigos continuaram a cuidar da vaca, que se tornava cada vez um animal mais lindo, atraindo outras pessoas da pequena aldeia, para ajudar a cuidá-la ou, como mais tarde veio a se saber, interessados no leite da vaquinha...

E o tempo passou... passou... E alguns daqueles amigos do primeiro grupo deixaram a localidade, outros afastaram-se um pouco dos cuidados com a vaca, até porque já havia muita gente em torno do animal, inclusive já surgindo atritos pelo direito de explorar o seu leite. Muitos que ao tempo da criação da terneira faziam pouco caso ou simplesmente ignoravam sua existência, agora brigavam pelo direito de explorar as tetas da vaca.

E logo aquilo que, ao início, era cuidado e dedicação, passou a ser exploração. A vaca já não recebia os cuidados necessários. E dê-lhe sugar as tetas. Tivesse 100 tetas e, certamente, teria 100 mãos puxando até a última gota de leite. Por entre o lindo pelo, percebiam-se carrapatos grudados a sugar-lhe o sangue. O aspecto do animal, apesar de bonito, já demonstrava sintomas de enfermidade.

Um dia apareceu na aldeia um dos amigos que dedicou os primeiros cuidados à pequena bezerra. Viu o que estava acontecendo e interferiu. Ao início pareceu haver uma certa aceitação, pelos atuais cuidadores (exploradores) da vaca. Logo em seguida, entretanto, os mesmos mostraram-se enciumados e rancorosos e promoveram a exclusão do antigo cuidador. Afinal, eles sabiam do que a vaca precisava.

O antigo cuidador, teimoso e idealista, não desistiu de sua empreitada e decidiu salvar o animal a qualquer custo. Um dia, aqueles que dedicavam-se a sugar as tetas da vaca encontraram o antigo cuidador colocando o animal em um brete. Então saíram esbravejando e gritando para toda a aldeia que o cuidador queria matar o animal.

Quando os aldeões vieram reunidos, em grande alarido, já preparados para agredir o cuidador este lhes disse, em tom quase de quem conta uma parábola: “Calma gente, eu jamais iria fazer mal ao animal que ajudei a criar. Eu só estou tentando curar esta baita bicheira, bem próximo do ubre e das tetas, que nenhum de vocês percebeu, apesar de diariamente consumirem o leite da vaca.”

Nota: 
Qualquer semelhança com fatos da vida real, ocorridos numa comunidade fundada por um tal de Jacinto Inácio, pode não ser mera coincidência.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PRÓXIMAS POSTAGENS

Em breve, continuidade das postagens com a sequência:

- Parte final da Notificação à Diretoria do Clube do Livro

- Fábula: O Cuidador da Vaca



- Série: Fraudes & Calotes 

- Novos e reveladores diálogos com o Plátano Falante

Com índice geral das matérias postadas.

Lembrando que toda crítica será bem vinda. Idéias diferentes enriquecerão o debate.

                O Editor.