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domingo, 11 de dezembro de 2016

O MOMENTO DO BRASIL - I



HA 25 ANOS EU JÁ ALERTAVA:   
"Ou se espantam os graxains ou eles comem até o galo"

Em 1991 eu escrevi, para participar da 2.ª TORUNGUENGA DA CANÇÃO CRIOULA de Santana da Boa Vista, a composição GRAXAIM DO PLANALTO. Misteriosamente, o interprete não compareceu na hora da apresentação (forças estranhas, como diria Jânio Quadros...). 

Por entender que a composição continua atual, inclusive quanto aos cenários e personagens, compartilho-a com os amigos. Como dizia um velho professor do curso de direito: "lá, como cá, boas fadas há". 


GRAXAIM DO PLANALTO


Descalços, descamisados
do Sul, do Norte e do Centro
abriram o galinheiro
e botaram o graxaim dentro
a vida anda custosa
sobreviver é uma briga
o graxaim faz banquete
e o povo ronca a barriga.

(Refrão)
Graxaim pensa que é homem
porque tem a coisa roxa
e o povo de tanta fome
já anda com a calça frouxa

Os graxains do planalto
que tem o rabo comprido
o focinho empinado
e o pelo bem collorido
comeram nosso salário
roubaram a previdência
travaram a produção
a cultura e a ciência.

A revolta está nas ruas
da nação arrependida
compraram gato por lebre
na mentira collorida
que o povo siga o exemplo
pra não levar mais um pealo
ou se espantam os graxains
ou eles comem até o galo.


Nota: postado no facebook em 07.02.16

DA MINHA ALDEIA - III

ELEIÇÕES MUNICIPAIS NA ALDEIA 
Criador X Criatura

Embora esteja fora do cenário, estive pensando nas próximas eleições municipais em minha aldeia, Santana da Boa Vista.

Tenho comigo que é da índole de boa parte (muito provavelmente da maioria) dos conterrâneos residentes na terrinha um grande conservadorismo, no sentido de reagir a propostas de mudança no jeito de fazer as coisas, mesmo que "as coisas" não andem lá muito bem...

Neste sentido, novos nomes para candidatos ao cargo de Prefeito, nas próximas eleições, talvez não seja a melhor proposta. Já que pensar em futuro é coisa que não agrada muito. Então, façamos um raciocínio pensando no "daqui pra traz", se este fosse o critério de escolha dos candidatos a Prefeito. 

A atual Prefeita, que completa o segundo mandato (8 anos), não pode concorrer à próxima eleição. Os dois antecessores (cada um com 2 mandatos, totalizando 8 anos), um por problemas de saúde, outro por problemas com a lei, também estão impedidos de concorrer. 

Voltando no tempo, temos dois ex-prefeitos falecidos. Aí, chegamos nos sobreviventes, coincidentemente os dois primeiros prefeitos eleitos do município, os quais denomino, por razões históricas, de "criador" e "criatura". 

O "criador", de 1968, quando foi eleito para o primeiro mandato, até 1992, quando ele próprio perdeu a eleição, dominou o cenário político, se elegendo ou dizendo quem se elegeria. Cumpriu 2 mandatos de prefeito (10 anos), um de vice (6 anos), e indicou outros 2 eleitos. 

A "criatura" cumpriu um mandato, candidato inventado pelo "criador" e nem sequer elegeu seu sucessor. Depois disto, virou uma espécie de mito para seus seguidores, até a saída de cena e o ostracismo político. 

Pois bem, esta eleição ganharia um colorido especial, com a candidatura do "criador", que reacenderia a esperança de seu partido, fora do poder há 24 anos. Já a "criatura", se voltasse à cena e retomasse a "aura" de mito, talvez alcançasse alguma esperança ao partido que depois de ganhar 3 eleições para prefeito (sem a participação do mito) se auto destruiu, virando caudatário dos últimos pleitos. 

Pensem nisto, meus conterrâneos. Uma proposta conservadora e saudosista: Em 2016 o duelo CRIADOR X CRIATURA. 

Assino embaixo (os incomodados podem ranger os dentes, pois estou fora do alcance).


Nota: postado no facebook em 08.07.16


DA MINHA ALDEIA - II


VISITA À MINHA ALDEIA  

No último final de semana estive em visita à minha aldeia natal, Santana da Boa Vista. Visitas a familiares e amigos e, no retorno, assuntos profissionais em Caçapava. A partir de agora, a única atividade por lá, e também a melhor, a proximidade com meus afetos.

Se é cidadão de um lugar quando se nasce lá ou quando se opta por residir lá. Há, contudo, um requisito legal para o exercício da cidadania, a condição de eleitor local. Já não atendendo mais a esse requisito, minha cidadania é meramente afetiva. Tenho convicção de que meu voto, assim como minhas ideias, não farão falta a ninguém.

Agora, como simples turista, poderei aproveitar melhor a paisagem e, inclusive, coisas exóticas, como uma creche nunca acabada, plantada no meio do campo de futebol da cidade. Talvez também possa fazer algum estudo sobre a apropriação de áreas de terras da municipalidade pela antiga terra mãe. Assim como os discos voadores que sobrevoam a Pedra da Cruz, nas Minas do Camaquã, essas coisas sui generis só acontecem por lá.

De resto, na "Capital da Simpatia", tá tranquilo, tá favorável...



Nota: postado no facebook em 16.03.16

DA MINHA ALDEIA - I

DESENVOLVIMENTO E ATITUDES    (24.02.16)
Carlos Barbosa - um exemplo a ser seguido

Ontem acompanhei com vivo e especial interesse uma reportagem sobre iniciativa de moradores da cidade de Carlos Barbosa, um exemplo para todos nós, especialmente de alguns municípios da Metade Sul. 
Diante das más condições de conservação da estrada de acesso entre São Vendelino e Carlos Barbosa, incluindo a falta de poda da vegetação junto aos acostamentos, estão organizados em mutirão fazendo o trabalho com a devida autorização do DAER e apoio do Poder Público local, de empresas e da comunidade. 

Quanta diferença com meu município, onde a comunidade (ao menos expressiva maioria) coloca-se numa condição de dependência total do poder público. Os administradores locais, por seu turno, não estimulam iniciativas da comunidade (ao contrário, convivi com boicotes por não ter o "amém" dos donos do poder). E assim, uns e outros vão exercendo seus papéis de "dominadores" e "dominados". Quem não dançar a música é convidado a sair do baile. 

Estes cenários e atitudes fazem toda a diferença na hora de medir os indicadores de desenvolvimento. A propósito, por não me adequar ao ritmo das danças locais, fui "desconvidado" do baile (sabem como é: quem não dança, dança...).


Nota: Postado no facebook em 24.02.16

UMA IMAGEM DO ANO (2015)

As repetidas imagens do desastre ecológico em Minas Gerais, mais do que a tragédia ambiental, refletem a própria imagem do país neste momento: um mar de lama. 
Não obstante aos nossos muitos valores e qualidades, precisamos sim fazer uma profunda auto avaliação como sociedade. Auto avaliações costumam ser doloridas. Talvez venhamos a descobrir algumas características que não gostaríamos de possuir. Talvez, também, seja tempo de buscarmos a correção dessa imagem que não gostaríamos de ter...

Pessoalmente, penso que dentre as características negativas da sociedade brasileira encontram-se as seguintes:
- Uma sociedade (pseudo) aristocrática;
- Por derivação, uma sociedade deslumbrada;
- Endemicamente corrupta; 
- Tristemente vulgar.

Aos poucos que lerem estas "mal traçadas" sugiro refletirem sobre cada uma das características apontadas. Opiniões contrárias serão bem vindas, pois não integro o grupo dos "donos da verdade". 

Que o alvorecer de um novo ano ajude a despertar a consciência da cidadania.


Nota: Postado no facebook em 30.12.15

sexta-feira, 10 de abril de 2015

30 ANOS DO CLUBE DO LIVRO

30 ANOS DO CLUBE DO LIVRO CORIOLANO CASTRO
EM SANTANA DA BOA VISTA

                       Os santanenses podem se orgulhar de possuir uma
               instituição  "sui generis", sem similar em todo o estado


No dia 18 de março de 1985, num final de tarde, tendo como local o meu modesto escritório de advocacia (numa garagem adaptada), reuniu-se um pequeno grupo de pessoas com a intenção de fundar uma instituição cultural. Ali nascia o CLUBE DO LIVRO CORIOLANO CASTRO, tendo como finalidade inicial organizar e manter uma biblioteca para uso de seus associados.
Se não me falha a memória (a ata de fundação, que não disponho no momento, poderá corrigir eventual omissão), foram 7 (sete) os fundadores, abaixo nominados, aos quais logo vieram somar-se outros que participaram da discussão e aprovação dos estatutos e da eleição da primeira diretoria, já na data de 11.06.1985, quando foi eleita presidente a Professora Clotildes Borges.
Sócios Fundadores (em ordem alfabética): Aroldo Dorneles de Oliveira; Cyro Rios Mesquita; Clotildes Borges; Dinorá Rosa Mesquita; José Alvarino Borba; Maria Geni de Oliveira (já falecida) e Moacir Donato Rosa de Oliveira.

O Clube do Livro, ao longo dessas três décadas, ampliou a biblioteca, hoje aberta à comunidade (a única existente além das bibliotecas escolares), editou por muitos anos o único jornal da cidade, o CLARIM SANTANENSE e, a partir de 1999, agrega em sua estrutura a rádio comunitária (Rádio Santana).
Trata-se, a toda evidência, de uma rica trajetória e de uma bela história, que está a merecer uma comemoração especial. Os santanenses podem se orgulhar de possuir uma instituição "sui generis", sem igual em todo o estado (não se tem notícias de similar que agregue uma biblioteca, um jornal e uma rádio comunitária).
Ao completar os 25 anos da fundação, propus uma comemoração especial. Na época, a instituição vivia tempos de turbulência, e a proposta sequer foi considerada. Agora, nesta "data redonda" de 30 anos, novamente propus uma comemoração, envolvendo, dentre outras atividades, reunir os sócios fundadores e lançar um concurso literário alusivo a história dos 30 ANOS DO CLUBE DO LIVRO.
Tive notícia, pelo Presidente Renato Soares, da acolhida inicial da proposta (por parte dele), que estaria sob análise da Diretoria. Contudo, não tive mais informações, acreditando que a analise da proposta ainda está em andamento.
Individualmente, faço meu registro, na data exata em que comemoramos 30 anos de fundação, fazendo minha homenagem à instituição, a todos quantos ao longo do tempo dedicaram esforços para conservá-la, fiéis aos seus objetivos. Cumprimento, também, a atual Diretoria, especialmente pela recondução do Clube do Livro aos seus princípios e objetivos.
Quanto à comemoração, caso não ocorra neste ano, teimoso que sou, vou voltar à proposta nos 35, nos 40 e nos 50 anos. Espeço que quando houver esta comemoração a maioria dos sócios fundadores possa estar presente e ainda com o mesmo vigor e idealismo de 30 anos atras.
Nota: Postado no facebook dia 18.03.2015

domingo, 8 de junho de 2014

NUM FIM DE TARDE


 Era início de junho. O outono já tomava o mate do estribo e o inverno chegava à galope. O sol acabava de mergulhar por entre os cerros e no céu azul, azul, logo se poderia ver a estrela boieira anunciando a noite. Uma aragem fria completava o quadro.

O açude parecia um espelho plantado na várzea. Os quero-queros davam o sinal de alguma movimentação lá pros lados da coxilha do fundo. O gado começava a se acomodar no parador. As vacas de leite ainda rondavam o potreiro onde os terneiros já quase na fase do desmame ainda retoçavam. 

De não muito distante, vem o balir dos primeiros cordeiros nascidos, o que faz o João Grosso esbravejar contra os graxains, pois ontem encontrou um cordeiro morto com mordidas. A estas alturas a estrela boieira já tem companhia no céu, onde a lua desponta por traz do capão de mato.

O preto Zeca entra no galpão, onde o fogo aquece e ilumina o ambiente. No canto de sempre, o Velho Manoel sorve o mate em sua cuia pequena. Mateia solito, enchendo os mates com água da cambona encarvoada. Geralmente, é de pouca conversa, mas quando está “aluado” é de conversa nenhuma...

Zeca dá um “buenas” e pergunta onde está o Lelo. Depois de longa pausa, o velho responde: “foi levar o milho pros cavalos, aquele lá proseia com os matungos”. O peão dá uma gargalhada, não se sabe se pelo mau humor do velho ou imaginando o amigo a prosear com os cavalos. Vai até um gancho na parede e pega uma guampa de canha, abre a tampa e dá um trago (haarg!!), lambe os beiços e vai reforçar o fogo.

Nisto João Grosso, que ainda falava sozinho dos graxains, se bem que desconfiasse dos cachorros de um vizinho, lascou: “se parar o ventinho vai dar uma geada de renguear cusco”.  Lelo também chega ao galpão. Os moços falam do tempo, das lidas do dia, das carreiras do próximo fim de semana, enquanto passam a guampa do trago. O velho mateia, só e quieto.

Completando o cenário, os cachorros fazem companhia aos peões. João Grosso começa a espetar uma linguiça para assar nas brasas do fogo. Ouve-se o piado de uma coruja. O velho resmunga alguma coisa, inaudível. Os peões falam alto e gargalham. Ali no galpão, ao redor do fogo, se resume o mundo e a vida, num fim de tarde...

Moacir Donato